segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Utilização da Água na Umbanda

Por Valdir Gragório (Wahari)


Antes de iniciarmos a falar da utilização de água dentro do ritual de Umbanda, devemos lembrar que água é um dos elementos mais importantes da natureza, tanto que:
· cerca de 3/4 do globo, do planeta que habitamos, são cobertas por água;
· 86,9% do corpo humano é composto de água ou carboidratos;
· mais ou menos 70% de tudo que existe na Terra leva água, tornando-se desta forma o fator predominante da vida no Planeta.

Não há vida sem água. Assim como não há Umbanda sem sua utilização. Ela mata, cura, pune, redime, enfim ela acha-se presente em todas as ações e reações no orbe terráqueo.
Sua utilidade é variada. Serve para os banhos de amacis, para cozinhar, para lavar as guias, para descarregar os maus fluídos, para o batismo. Dependendo de sua procedência (mares, rios, chuvas e poços), terá um emprego diferente nas obrigações.
A água poderá concentrar uma vibração positiva ou negativa, dependendo do seu emprego.
A água é uma excelente captadora de energias, tanto que normalmente é utilizada em rituais de descarregos, de limpeza, etc. , bem como também é utilizada para captar bons fluídos.
Deve-se ter certos cuidados com as águas que encontram-se na natureza, pois cada uma tem seu valor e sua utilização.
Conhecemos e fazemos uso em rituais de água de procedência de dez campos sagrados.
Rocha: água detida em saliências nas rochas. Ligada a Xangô - entre suas funções, traz força física, disposição, boa-vontade, sabedoria;
Mar: ligada a Iemanjá - imã de energias negativas, anti-séptico e cicatrizante, fertilidade, calma;
Mina: ligada a Oxum e Nanã - força, vitalidade - é a mais indicada para se utilizar nas quartinhas e em assentamentos de anjo-de-guarda;
Mar Doce: encontro de rio e mar. Ligada a Ewá - trato do corpo sentimental, humor, bom senso e independência;
Chuva: ligada a Nana e Oxum - excelente função de limpeza e descarrego;
Cachoeira: igada a Oxum e Xangô - sentimentos, afeto, força de pensamente, alegria, jovialidade;
Rio: ligada a Oxum (na correnteza) e a Obá (nas margens) - determinação, bons pensamentos;
Poço: ligada a Oxum- resistência, sabedoria;
Lagos e Lagoas: ligada a Nanã- serenidade, resignação;
Orvalho: recolhido das folhas, ao alvorecer do dia. - Ligado a Oxalá - calma, paciência, fecundidade.
Em relação a água da chuva podemos dizer que quando cai é benéfica, pura, porém, depois de cair no chão, torna-se pesada, pois atrai à si as vibrações negativas do local.
Por esse motivo nunca se deve pisar em bueiros das ruas, porque as águas da chuva, passando pelos trabalhos nas encruzilhadas, carregam para os bueiros toda a carga e a vibração dos trabalhos; convém notar que os bueiros mais próximos da encruzilhada são os mais pesados, porém não isenta de carga, embora menos intensa, os demais bueiros da rua
Todas podem ser utilizadas em banhos, assim além de portadoras de seus próprios axés, serve de veículo para o axé dos demais componentes do banho.
Algumas águas não podem e não devem ser armazenadas por muito tempo, "água parada apodrece”.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Aje Saluga

Não é rara a vez que me deparo dizendo que mesmo a Umbanda cultuando um pantaleão muito restrito perante o africano, não podemos negar a existência dos demais Orixás e que vibramos e sofremos o impacto deles.

Um exemplo disso é Aje Saluga ou Anabi (como é chamada pelos mulçumanos), que simboliza para o Povo Yorubá o poder da riqueza, de ganhar e obter dinheiro para uma vida sem dificuldades e com prosperidade extensiva a toda a familia.

É um Orixá cultuado em todo o Panteão africano e nas Américas por Babalorixás e Babalawos, esses líderes espirituais, quando se defrontam em jogo com uma situação precária de vida do filho ou cliente que os procura, aconselham apropriadamente a estes que façam o assentamento de AJÈ SALUGA.

É um fundamento que poucas casas de santo conhecem ou cultuam, para Assentar Ajè Saluga faz-se necessário ter os seus 4 fundamentos também assentados, para que se consiga atingir os intentos, mudar o destino, consagrar todo o ritual e atingir o objetivo que é o de prosperar quem o cultua.

Os 4 Fundamentos necessários para se ter Ajè Saluga são:

Esú Odará

Orunmilá

Osanyín

Igbá Ori

Aje Salugá é a irmã mais nova de Yemanjá. Ambas são as filhas prediletas de Olokun. Quando a imensidão das águas foi criada, Olokun dividiu os mares com suas filhas e cada uma reinou numa diferente região do oceano. Aje Salugá ganhou o poder sobre as marés. Eram nove as filhas de Olokun e por isso se diz que são nove as Yemanjás.
Dizem que Yemanjá é a mais velha Olokun e que Aje Salugá é a Olokun caçula, mas de fato ambas são irmãs apenas. Olokun deu às suas filhas os mares e também todo o segredo que há neles. Mas nenhuma delas conhece os segredos todos, que são os segredos de Olokun. Aje Salugá era, porém, menina muito curiosa e sempre ia bisbilhotar em todos os mares. Quando Olokun saía para o mundo, Aje Salugá fazia subir a maré e ia atrás cavalgando sobre as ondas. Ia disfarçada sobre as ondas, na forma de espuma borbulhante. Tão intenso e atrativo era tal brilho que às vezes cegava as pessoas que olhavam. Um dia Olokun disse à sua filha caçula:
"O que dás para os outros tu também terás, serás vista pelos outros como te mostrares. Este será o teu segredo, mas sabe que qualquer segredo é sempre perigoso".
Na próxima vez que Aje Salugá saiu nas ondas, acompanhando, disfarçada, as andanças de Olokun, seu brilho era ainda bem maior, porque maior era seu orgulho, agora detentora do
segredo.

Mesmo não cultuando, participamos de sua egregora, afinal que não roga pela riqueza? Mas o que é riqueza?

Segundo o dicionário Aurélio, riqueza é “Qualidade de rico” ou “a classe dos ricos”. Rico, por sua vez, é o “que possui muitos bens ou coisas de valor”. Mas vamos refletir um pouco sobre o que seria para cada um de nós “uma vida rica”… Será que seria simplesmente “ficar rico”? Provavelmente não, certo?

Riqueza vai além da riqueza material: riqueza de experiências, riqueza de valores e riqueza social. De fato, no fundo é isto que todos nós procuramos: uma riqueza num sentido mais amplo. Afinal, mas para o cantor tem na sua voz a sua maior riqueza... A saúde, a arte, o amor, tudo é Aje.

O atual conceito de riqueza é pobre. Não resiste a uma análise filosófica, que tente entender o seu significado: o que é a riqueza em si. É certo que o grego e o medieval ficariam fascinados pelo avanço da medicina, sem dúvida um conceito íntimo de riqueza, mas não com os automóveis que roubam o mais precioso de todos os recursos: o tempo de vida de uma pessoa.

Talvez o melhor indicador de riqueza ainda é o grau de educação de cada pessoa e do conjunto das pessoas em cada sociedade. Primeiro, porque a educação é geradora da riqueza material que caracteriza o imperfeito sistema econômico dos últimos duzentos anos; segundo, porque é o instrumento de ascensão do patrimônio material de cada pessoa; terceiro porque é o único elemento capaz de distribuir bem a riqueza, qualquer que seja seu conceito.

Engana-se quem acredita que para enriquecer basta ter dinheiro. Para ficar rico, o segredo é ter um planejamento financeiro rígido e segui-lo à risca de forma disciplinada.

Muitas vezes, ricos e pobres estão juntos no mesmo barco: é o movimento que interessa, ou você está em processo de enriquecer ou de empobrecer, não importa quanto dinheiro tenha, pois ninguém fica rico com o dinheiro que ganha, mas com o uso que dá ao dinheiro que deixa de gastar. No meu site (www.yangi.com.br) há uma planilha de orçamento familiar que esta disponível gratuitamente para colaborar com o planejamento financeiro.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O uso da água na religião

Hoje 15/10 é o dia do Blog Action Day, onde inúmeros blogs pelo mundo debatem o mesmo assunto, o deste ano é a água, estamos participando desta corrente, mas o nosso foco será o uso ritualistico da água.

É importante ressaltar a importância da água para o seu humano pois cerca de 3/4 do planeta é coberto de água e o próprio corpo humano possui aproximadamente 87% de água.

Na religião a água é de fundamental importância, pois vários Orixás tem seus pontos de força na natureza em locais onde há água.

Como arsenal veremos nos banhos de amacis, para cozinhar, para lavar as guias, para descarregar os maus fluídos, para o batismo. Dependendo de sua procedência (mares, rios, chuvas e poços), terá um emprego diferente nas obrigações.

A água poderá concentrar uma vibração positiva ou negativa, dependendo do seu emprego.
A água é uma excelente captadora de energias, tanto que normalmente é utilizada em rituais de descarregos, de limpeza, etc. , bem como também é utilizada para captar bons fluídos.

Como um dos principais simbolismos nos banhos, pois é o elemento que deve ser oferecidos a todos os Orixás e pelo seu poder na natureza é considerado o sêmen, a fecundidade do sangue branco feminino.

Deve-se ter certos cuidados com as águas que encontram-se na natureza, pois cada uma tem seu valor e sua utilização.

Conhecemos e fazemos uso em rituais de água de procedência de dez campos sagrados.
Rocha: água detida em saliências nas rochas. Ligada a Xangô - entre suas funções, traz força física, disposição, boa-vontade, sabedoria;
Mar: ligada a Yemanjá - imã de energias negativas, anti-séptico e cicatrizante, fertilidade, calma;
Mina: ligada a Oxum e Nanã - força, vitalidade - é a mais indicada para se utilizar nas quartinhas e em assentamentos de anjo-deguarda;
Mar Doce: encontro de rio e mar. Ligada a Ewá - trato do corpo sentimental, humor, bom senso e independência;
Chuva: ligada a Nana e Oxum – excelente função de limpeza e descarrego;
Cachoeira: ligada a Oxum e Xangô - sentimentos, afeto, força de pensamente, alegria, jovialidade;
Rio: ligada a Oxum (na correnteza) e a Obá (nas margens) - determinação, bons pensamentos;
Poço: ligada a Oxum- resistência, sabedoria;
Lagos e Lagoas: ligada a Nanã- serenidade,resignação;
Orvalho: recolhido das folhas, ao alvorecer do dia. - Ligado a Oxalá - calma, paciência, fecundidade.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ibejada

No dia 27 de setembro os católicos homenageiam os santos Cosme e Damião, graças ao sincretismo feito pelos negros ao Orixá Ibeji vemos que a homenagem tornou-se uma grande festividade nacional e a sobrevivência da devoção aos santos católicos.

Afinal em terreiros de Umbanda e Candomblé com as suas homenagens, distribuição de comidas e a “obrigatoriedade” do culto e preceitos que transformaram a homenagem católica em essência afro-brasileira.

Tanto isto é verdade que a igreja católica tem um “certo problema” com a imagem de Dohú, ou popularmente conhecido, Doum.

Ibeji quer dizer gêmeos (ib: “nascer” e eji:”dois”), mas alguns dizem que seria o primeiro dos gêmeos a nascer. O segundo, se fosse menina, seria chamado de Alabá. A primeira criança nascida depois dos gêmeos seria denominada Dohú.

Chamado de Ibeji na nação Ketú ou Yorubá e Tobossi no Jeje Vodú, esse Orixá-Vodun se identifica no aspecto masculino como Tossé e no feminino como Tossá. Geralmente proporcionam aos seus filhos, famílias extensas ou o aparecimento de filhos gêmeos. Na Nação Angola, Ibeji é conhecido como Vounge Mona Ame.

Em muitas religiões observa-se o culto aos gêmeos e sempre estão associados como patronos dos casamentos e da família, todas as crianças são protegidas de Ibeji, os adultos, especialmente os que não se esqueceram que um dia foram crianças e, por isso, tratam os pequenos com carinho e respeito e os que endurecem mas não perdem a ternura.

Uma das lendas deste Orixá diz que existia um reino dois pequenos príncipes gêmeos, que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles, em troca, pediam doces balas e brinquedos.

Na África, a chegada dos gêmeos era motivo de alegria, mas não deixava de trazer preocupações, principalmente quanto ao sustento. Cultuar Ibeji é a garantia de que a vida seria abastada. Por isto, além dos preceitos do culto, oferendas comidas neste dia é extremamente importante. Por isto caruru, vatapá, feijão preto, acarajé, fatias de coco, galinha da terra nos sustentam neste dia como uni as nossas famílias.

De todos estas iguarias a mais importante é o caruru, onde demonstramos que somos crianças interesseiras (não falsas pois criança falsa não existe), pois logo após a oferenda queremos em troca a prosperidade, a fartura e as benção deste Orixá. O problema é que pedimos e esquecemos, mas as crianças jamais se esquecem das promessas que lhes fazem. Daí o cuidado que devemos ter com Ibeji: prometeu, tem que cumprir, pois o que Ibeji fizer não há Orixá que conserte.

sábado, 14 de agosto de 2010

Sabão da Costa

Sabão é de origem da Costa do golfo da Guiné, África. Sendo que, na África tem o nome de “ose”, sua cor é escura, a textura é pastosa e o perfume amadeirado, é usado em “rituais” tanto na África como no Brasil. Osé dudu era o nome dado pelos africanos ao sabão da costa.

Ele é usado para lavar todo o material ritualístico do Yawô (quartinhas, fetiches, ferramentas, jóias...) e o próprio. Não há restrição quanto ao seu uso na cabeça ou por mulheres menstuadas. O sabão tem por função a limpeza do corpo físico e da aura e especialmente de sua camada mais próxima ao corpo físico, retirando larvas astrais e miasmas.

Ingredientes para o preparo

1kg de base glicerinada,
recipiente de esmalte ou de vidro temperado (usada só para esse fim),
bastão de vidro ou colher de plástico descartável(ou uma colher de pau, desde que usada só pra isso),
forma ou panela para banho-maria
formas de silicone ou fôrmas de chocolate.
Modo de Preparo
Em um recipiente de esmalte, derreta a base de glicerina em banho-maria até dissolver muito bem, junto com o corante. Não há a necessidade de mexer a base enquanto estiver no banho-maria.
Quando a base estiver totalmente diluída retire do banho-maria e com um auxílio de um bastão de vidro, mexa a base derretida, afastando a nata que irá se criando. Mexa até acabar a evaporação.
Bater no liquidificador:
1 copo de água mineral;
1 Folha de Osibata, Oriri, macassá, elevante, tapete de Osaala, Manjericão, Saião, Capeba, Alfazema, Alecrim, Peregun, Iroko, Pitanga, Colônia, Rosa Branca, Abebe e 1 colher de café de Wadji, 2 colheres de sopa de efun e 1 colher de café de Ossun. Alguns templos umbandistas adicionam Aroeira, Arruda, Guiné, Espada de São Jorge. Bata bem até se tornar um líquido bem escuro.
Desenforme cuidadosamente e acerte as rebarbas. Embale o sabonete com filme plástico e fixe-o com uma etiqueta de identificação.

Significado das ervas:

- Alecrim - Ewere - erva de Oxalá e Yemanjá - sua atribuição é limpar nossa mente de pensamentos ruins - seu Nome significa Erva de Criança;
- Alfavaquinha - Oriri - O próprio nome já diz Orinrin que Dizer Cabeça Fresca;
Alfazema, Lavanda - Aruso - Erva de Oxum e Oxala - nos perfuma e nos acalma é a erva que as baianas usavam pra perfumar Oxalá;
- Boldo, tapete de Oxalá - ewe baba - Erva de Oxalá todos os rituais relacionados a Ori levam esta erva;
- Capeba, Ewe Iya - Folha de Yemanjá, folha mãe todos os rituais que se relacionam ao Ori levam esta folha;
- Catinga de Mulata - Makassá, erva da qual nos traz boa sorte e também nos ajuda a aumentar nossa intuição;
- Colônia - ewe Toto - folha de Yemanjá e Oxum - tem função de acalmar folha também relacionada ao Ori;
- Coqueiro de vênus, nativo - Peregun - Erva de Ossaim e Ogum. È a primeira folha, Indispensável a qualquer ritual de purificação da qual envolva ervas;
- Erva capitão - Abebe - Erva de Oxum - erva que dá poder aos Cantos - Erva da prosperidade e da beleza;
- Gameleira branca - Iroko - O próprio nome já diz é a Folha sagrada da árvore da qual todos os Orixás se reunem, folha da cura;
- Levante ou elevante - Ere Tuntun, erva de Oxalá e Oxum tem o poder da purificação e tranquilizar;
Manjericão - Efirin - Erva de Oxalá e Oxum nos protege contra feitiços;
- Nenufar - Osibata- Primeira Folha de Oxum - Referência a Grande Iyalorisà;
- Pitanga - Ewe Ita - Erva e Oxum- Folha da Prosperidade;
- Rosa Branca - Ewe Olomi - Erva de Osun - usada pra nos dar boa;
- Saião, Odundun - Erva de Oxalá - Folha da sacralização.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mediunidade

Quando falamos de mediunidade temos que lembrar que assumimos compromissos perante o espiritual e lembrar também que se nascemos numa família e lugar, muitas vezes temos responsabilidades e resgates com nossos pais, nossos irmãos, nossos filhos e com todos aqueles que nos rodeiam.

Por que somos médiuns?
Para termos essa resposta precisamos voltar até o desencarne da nossa vida anterior.
Quando nosso Pai Omulú nos segurou em seus braços na hora da morte, ou seja, passagem do plano material para o plano espiritual, o nosso Pai Obaluayê abriu a passagem para a transição de plano para outro na hora do desencarne.
A nossa Mãe Nanã Buroquê decanta nossas lembranças para que o pai Oxumaré renove o nosso novo caminho.


A Mãe Obá traz concentração para que a nossa Mãe Yansã redirecione o espírito. Durante essas atuações nossa Mãe Oyá nos está segurando em seus braços, paralizando-nos para que todos os Orixás tenham tempo infinito para atuarem no espírito direcionando o mesmo para Fé e Evolução.

Nesse momento é feito um estudo de tudo o que você fez em suas vidas anteriores e Deus através de seus mentores verificam o que necessitamos de instrumento para tornar nossa reencarnação uma escala de evolução da alma.

Deus nos empresta essa faculdade ou dom para que possamos através dela cumprir a Sua vontade e nossas missões em matéria.

A ligação com o “cordão umbilical” depende disso, ou seja, nós é que pedimos para Deus esta oportunidade. Então é um compromisso assumido ainda em plano espiritual.

Durante a preparação para a reencarnação do espírito inicia-se um novo ciclo, onde a nossa Mãe Nanã Buroquê através da decantação nos faz esquecer dos compromissos assumidos.

Seria muito fácil se soubéssemos o que Deus espera de nós, porém nossos resgates e evolução do espírito não teriam o mesmo valor, e, além disso, não passaríamos pelo difícil teste do Livre Arbítrio.

Após a decantação do espírito é através do amor de um casal que Mãe Oxum concebe a semente do ser que será gerado por Mãe Yemanjá, Pai Obaluayê reduz o espírito ao tamanho do feto para ser instalado no tempo certo no útero da mãe, e após nove meses será reconduzido a luz da carne.

E nosso Pai Oxalá desenvolverá sua fé, nosso Pai Oxóssi lhe trará conhecimento, nosso Pai Ogum a ordem para que sempre saiba respeitar a Lei Maior e a Justiça Divina.

Tipos de Mediunidade

INTUIÇÃO: É um tipo de mediunidade onde o médium recebe em seu pensamento, sob a forma de uma sugestão, mensagens provindas de um espírito.
A intuição nem sempre deve ser seguida, a não ser que o médium consiga identificar a entidade que o está intuindo.
Essa identificação, ele aprenderá a fazer no seu desenvolvimento, pois cada entidade produz uma sintonia diferente no organismo.

INCORPORAÇÃO: É o acoplamento magnético dos perispíritos do médium e do espírito comunicante. É assim que acontece em todo tipo de incorporação. Não há como ser diferente. É a mediunidade em que o médium sintoniza a vibração da entidade e essa vibração toma conta de todo o seu corpo. Toda incorporação ocorre como você está podendo observar, ou seja, é com o esforço da concentração do médium e do espírito que a rotação dos chakras de ambos atinge uma velocidade próxima, criando assim a sintonia necessária para que os pensamentos e desejos de um sejam percebidos pelo outro. Sintonia essa que é mental e pode produzir uma incorporação parcial ou uma integral.

Os chakras localizam-se em regiões que correspondem, no corpo físico, a áreas de grande concentração de feixes nervosos chamadas gânglios. Assim, as sensações que o médium tem são provenientes da excitação do sistema nervoso através da atuação nos chakras. Dessa forma, antes de a mensagem do guia sair pela boca do médium, ela passa pela mente dele. São os tais “pensamentos impostos”, aos quais você se referiu. Isso ocorre quase simultaneamente, tamanha é a rapidez desse processo.

No acoplamento magnético do espírito comunicante ao espírito do médium, ocorre a incorporação que pode ser “Consciente ou Inconsciente”. A diferença destas duas é justamente a velocidade com que os pensamentos do guia passam pela mente do médium, pois, se for muito rápido, eles podem passar despercebido e assim a pessoa diz que não lembra ter feito ou dito determinada coisa. Essa velocidade na passagem do pensamento do guia pela mente do médium é diretamente influenciada pela capacidade de sintonia entre os perispiritos.

Quanto mais próxima a rotação dos chakras do médium e do guia, maior a sintonia entre ambos e maior a velocidade e a facilidade com que os pensamentos do guia passam pela mente do médium, logo, menor é o grau de consciência do médium nessa comunicação, pois sua resistência aos pensamentos do guia é menor. Essa sintonia quase perfeita é difícil de ser conseguida pois vários são os fatores que alteram a capacidade do médium em alcançar a sintonia mais próxima da faixa vibracional do guia. Entre eles, o mais comum é o tipo de mediunidade mesmo, pois a mediunidade inconsciente é realmente muito rara.

Na “incorporação parcial (consciente)”, o médium sabe que está ali, sente, observa, mas não domina o corpo nem controla o raciocínio. Perde, também, a noção de tempo e, embora tenha sido espectador de si mesmo, perde a noção de muita coisa que se passou, ao desincorporar. Pode haver uma quebra de sintonia ocasional, o que permitirá ao médium interferir na comunicação.

Na ”incorporação integral (inconsciente)”, há no médium uma perfeita sintonia com a vibração da entidade. Nesse caso, não há possibilidade de interferência e, ao desincorporar, o médium não vai se lembrar de nada do que se passou. Queremos esclarecer que a "incorporação parcial (consciente)" é tão autentica quanto a "incorporação integral (inconsciente)". O único problema é o médium não interferir, procurando se isolar e deixar que a entidade atue livremente.

Existe também uma outra mediunidade chamada de "semi-consciente", esta como o próprio nome diz, ela é uma intermediária entre a modalidade consciente e inconsciente.
Na mediunidade “semi-consciente”, comparando com a consciente, o guia tem um maior controle sobre as necessidades fisiológicas do médium, há uma maior resistência à dor, a noção de tempo fica embotada mas o médium ainda apresenta alguma resistência aos pensamentos do guia. Podemos dizer que a esmagadora maioria dos médiuns (mais de 95%) trabalha em incorporação parcial (consciente) e uma pequeníssima minoria (menos de 5%), em incorporação integral (inconsciente).


VIDÊNCIA: É o tipo de mediunidade que permite, àquele que a possui desenvolvida, ver as entidades, as irradiações.

CLARIVIDÊNCIA: É o tipo de mediunidade que permite ver fatos que ocorrem no passado e que ocorrerão no futuro.
Os clarividentes podem ver os corpos astral e mental de outras pessoas, e tomar conhecimento da vida em outros planos espirituais. É um tipo de mediunidade difícil de ser encontrado.

AUDIÇÃO: O médium ouve uma voz clara e nítida nos seus ouvidos e dessa forma recebe as mensagens.
Na audição, devemos ter o mesmo cuidado que temos na intuição, no que diz respeito a identificação de quem está dando a mensagem.

TRANSPORTE: É a capacidade de visitar espiritualmente outros lugares, enquanto o corpo físico permanece repousando tranqüilamente; o espírito se desliga do corpo e vai para o espaço. Esse transporte pode ser voluntário ou involuntário.

No transporte voluntário, o médium se predispõe a realizá-lo. Ele se concentra e se projeta espiritualmente a outros lugares, tomando conhecimento do que vê e do que ouve.
O transporte involuntário, ocorre durante o sono. Todos nós nos desligamos do corpo físico durante o sono e entramos em contato com pessoas e lugares dos quais não nos recordamos ao acordar.

As vezes, recebemos nesses transportes soluções para os nossos problemas que, mais tarde, nos parecerão idéias próprias.

A respeito, diz um ditado popular: “Para a solução de um grande problema, nada melhor que uma boa noite de sono”.

DESDOBRAMENTO: É o afastamento do espírito com o seu perispírito do corpo, permanecendo ligados a cordões fluídicos, permitindo ao espírito tomar conhecimento de tudo que se passa com o corpo físico e, se necessário retornar instantaneamente. Podem ser classificados em:
Consciente:- Quando guarda conhecimento do processo ocorrido;
Inconsciente:- Quando ao retornar do processo nada recorda;
Voluntário:- Quando o próprio médium promove o afastamento;
Provocado:- Quando há interferência de agentes externos (encarnados e desencarnados), através de processos hipnóticos e magnéticos.

PSICOGRAFIA: Tipo de mediunidade muito comum, podendo ser intuitiva, semi-mecânica ou mecânica. É o ato de escrever um texto no exato momento em que se recebe a mensagem do espírito.
Na psicografia intuitiva, o médium recebe as mensagens na mente e as passa para o papel. É pura intuição.
Na psicografia semi-mecânica, o médium à medida que vai escrevendo, vai também tomando conhecimento do que escreve. O espírito atua, simultaneamente, na mente e na mão do médium.
Na psicografia mecânica, o espírito atua somente na mão do médium que escreve sem tomar conhecimento da mensagem recebida.
Na psicopictografia, é quando ao invés de escrever, o espírito utiliza a mão do médium para pintar.


Nota que todos esses sintomas tendem a desaparecer com a preparação espiritual e o desenvolvimento mediúnico, mas o tempo necessário ao desenvolvimento dependera muito do grau de mediunidade, do interesse e da preparação espiritual do médium.


Sintomas clássicos da mediunidade:
Suor excessivo nas mãos e axilas, principalmente nas mãos;
As mãos ficam molhadas, quase geladas;
Os pés também podem ficar gelados;
As maças do rosto muito vermelhas e quentes;
As orelhas ardem;
Dormência em alguma parte do corpo principalmente nas mãos.
Na mão a linha da vida fica vermelha quando esta em algum ambiente com muita vibração.

Depressão Psíquica:
A pessoa fica totalmente instável, passando de uma grande alegria para uma profunda tristeza sem motivo aparente. Fica melancólica e sente uma profunda solidão. É como se o mundo todo estivesse voltado contra ela.

É facilmente irritável e, nessa fase, ela vai ferir com palavras e gestos aqueles que mais gosta.

Alterações no Sono
São classificados em dois estilos:-

Insônia: à É provocada pela aceleração no cérebro devida à vibração. Os pensamentos voam de um assunto para outro, incontroláveis, e a pessoa não consegue dormir.
Sono Profundo: É devido à perda de ectoplasma, de força vital. Há um enfraquecimento geral do organismo e as vibrações da pessoa são reduzidas.


Taquicardia

Comum em algumas pessoas, há uma súbita alteração no ritmo dos batimentos cardíacos, fruto do aceleramento provocado pela vibração atuando.


Tipologia
São classificados em dois estilos:

PERDA DO EQUILÍBRIO à A perda de equilíbrio é uma sensação muito rápida. A pessoa pensa que vai cair e tenta se segurar em alguma coisa, mas a sensação termina antes que ela consiga fazer qualquer gesto. É extremamente desagradável.
SENSAÇÃO DE DESMAIO à A sensação de desmaio normalmente ocorre quando a vibração abandona a pessoa bruscamente. Ela fica muito pálida e tem que sentar para não cair. As vezes ocorre sensação de vomito ou de diarréia. Um copo de água com bastante açúcar e respiração pela narina direita normalmente bastam para contornar essa situação.


MEDOS E FOBIAS

A pessoa fica com medo de sair sozinha, de se alimentar, de tomar remédios, pois acha que tudo lhe fará mal.
As vezes tem medo de dormir sozinha ou com a luz apagada.
É muito comum, também, uma total insegurança em tudo o que vai fazer.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Porque o ÈSÙ-ELEGBA (africano) foi associado ao diabo?

Èsù é o primeiro nascido da existência e, como tal, o símbolo do elemento procriado. Mensageiro dos Orixás, elemento de ligação entre as divindades e os Homens, a um tempo mais próximo do mundo terreno e mais perto do elevadíssimo espaço celeste por onde transita Òrúnmìlà, é um orixá, é sempre a primeira divindade a receber as oferendas, justamente para que atue como um aliado e não como um rival que perturbe os procedimentos místicos desenvolvidos durante os rituais. Coerente com seu lugar místico privilegiado, é ele que abre esse "corpus mitopoético".

Princípio dinâmico e princípio da existência individualizada, Èsù não pode ser isolado ou classificado em nenhuma das categorias. Ele é como o axé (que ele representa e transporta), participa forçosamente de tudo.

Os assentamentos de Èsù encontrados na África eram considerados obscenos e imorais pelos europeus que lá chegaram. Em toda expedição que era feita à África sempre tinham padres missionários com a finalidade de catequizar e converter os pagãos africanos. E naturalmente essa catequese não permitia que continuassem a cultuar seus Orixás pagãos. (Pierre Verger - Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns – pág. 133)

Os amigos viajantes muito falaram dessa divindade que a todos impressionava por seu aspecto erótico. Pruneau de pommegorge foi o primeiro que; tanto quanto podemos saber, descreveu um Legba. Eis como apresenta o Legba de Ouidah, onde permaneceu de 1743 a 1765.

A um quarto de légua dos fortes os dahomets ainda têm um deus Príapo, feito grosseiramente de terra, com seu principal atributo, que é enorme e exagerado em relação à proporção do restante do corpo. As mulheres, sobretudo, vão oferecer-lhes sacrifícios, de acordo com sua devoção e com o pedido que lhe farão. Esta má estátua encontra-se debaixo do forro de uma choupana que a abriga da chuva.

A representação de Èsù na África é um pênis que para o africano é o símbolo masculino da procriação, da fertilidade masculina, sem ele ninguém nasceria, o pênis é o veículo do sêmen fecundador e gerador do ser humano. É visto com naturalidade, sem malícia e sem obscenidade.

Para os africanos o pênis é representado naturalmente, uma escultura, como aquelas que se vê nos museus europeus em estátuas gregas e romanas.

Os europeus ao chegarem na África encontraram figuras com um pênis na cabeça, sem a capa de tecido da foto acima, que foi colocada para tirar a foto e para ficar mais discreto aos olhos não acostumados ou maliciosos.
Imaginem os missionários, devem ter ficado horrorizados com tanta indecência e imoralidade, logo taxaram como coisa do Diabo que os africanos nunca tinham ouvido falar.

Existem várias representações de Èsù. Eshu, Exú, Elegbara, legba são algumas formas de escrever. Segundo Pierre Verger em Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns (pág. 119).
Èsù Elegbara e Legba na África, Èsù Elegbara dos yorùbá, Legba dos fon, encerra aspectos múltiplos e contraditórios que dificultam uma apresentação e uma definição coerentes.

A ligação de Èsù com Diabo na África, nada mais foi do que uma arma usada pelos missionários para que os pagãos se convertessem ao cristianismo e abandonassem suas crenças.

Enquanto no candomblé tradicional Èsù é cultuado como um Orixá guardião da comunidade, protetor da casa e das pessoas que lá buscam ajuda, pois não incorporam nas pessoas aleatoriamente, é um Orixá como outro qualquer, mas só vai incorporar na pessoa que for seu filho.

Cada Omo Òrìsà tem seu Èsù pessoal que é assentado juntamente com o seu Orixá por ocasião da iniciação, mas esse também não incorpora é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é um protetor.

Estes Èsù não incorporam em ninguém, seus assentamentos são feitos cada um com material específico e para uma finalidade específica.

Èsù Yangi
Senhor da Laterita Vermelha
Èsù Agba
Senhor Ancestral
Èsù Igba Keta
Senhor da Terceira Cabaça
Èsù Okoto
Senhor do Caracol
Èsù Oba Bàbá ÈsùRei e Pai de todos os Èsùs
Èsù Odara
Senhor da Felicidade
Èsù Osije
Mensageiro Divino
Èsù Eleru
Senhor da Obrigação Ritual
Èsù Enu GbarijoSenhor da Boca Coletiva
Èsù Elegbara
Senhor do Poder Mágico
Èsù Bara
Senhor do Corpo
Èsù Lònán
Senhor dos Caminhos
Èsù Olobe
Senhor da Faca
Èsù Elebo
Senhor das Oferendas
Èsù Àláfia
Senhor da Satisfação Pessoal
Èsù Oduso
Vigia dos Odus


Muitos espíritos de Umbanda, Quimbanda, adotaram o nome de Exú para se identificarem, e incorporam em médiuns desenvolvidos, são comparados ao Diabo através de imagens de gesso em formato de capeta com chifre e rabo, são pintadas de vermelho e muitos usam capas pretas
Os falangeiros (Guias representantes) de Exu trazem na frente de seus nomes o próprio nome do Orixá: Exu ou Pomba-gira (que tem como origem na Angola - bombogira, que é a representação de Exu em forma feminina).
São exemplos de alguns falangeiros (Guias representantes) de Exu na Umbanda:
Exu das Sete Encruzilhadas, Exu Pé de Ferro, Exu Veludo, Exu Marabô, ... (Exus Masculinos); Pomba-gira Maria Padilha, Maria Molambo, Maria Quitéria, ... (Exus Femininos).
As vezes, pelos fato dos falangeiros (Guias representantes) de Exu utilizarem o seu nome do Orixá, Exu, na frente de seus nomes, pode causar alguma confusão entre os praticantes da Umbanda, pois confundem o guia com o Orixá. Isso já não acontece no Candomblé, pois não existe o trabalho de Guias representantes, só do Orixá e suas qualidades (dijinas).
No sincretismo Judaico-Cristão Exu foi associado a imagem de Santo Antônio, mas pejorativamente, por suas características e cores, foi associado também ao Diabo, a Satanás. Essa é uma associação que é, além de injusta, é ignorante, pois Exu é o próprio sentido da vida, da criação, do amor, do bem viver.

Temos que considerar também que a Coroa Portuguesa criou uma lei que, no seu primeiro artigo, determinava que todos deveriam ser batizados na religião católica. Essa legislação atendia, acima de tudo, às relações entre o governo português e a igreja católica, e à teologização da igreja católica a respeito da África, dos africanos e da escravidão.

O Padre Antônio Vieira em seus Sermões (XI e XXVIII), afirma que a África é o inferno onde Deus se digna a retirar os condenados, pelo purgatório da escravidão nas Américas.

Recentemente assisti o filme “A Dança das Cabaças”, um fantástico documentário sobre este preconceito,que esta disponivel no blog original Danças das Cabaças http://dancadascabacas.blogspot.com/