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terça-feira, 22 de abril de 2014

Ser / Estar

Há algum tempo tenho pensado sobre situações que vejo com freqüência com pessoas que não sabem se são ou estão umbandistas.
Vejo claramente que há, dentro do universo dos médiuns umbandistas, dois grupos muito bem formados: os que são umbandistas e o que estão umbandistas.
Nessa minha ótica os que são umbandistas são aqueles que se entregam a religião sem medos ou amarras, ou seja, vivenciam sua fé, compartilham, estudam, evoluem como pessoa, absorvendo os ensinamentos e colocando-os em prática.
Estar umbandista, para mim, são aqueles médiuns que no fundo estão em uma relação de troca. Estou aqui para ser ajudado, estou aqui por que alguém quis, estou aqui porque é bonito, etc.
Estar é não ter a certeza das obras dos Orixás e Guias espirituais. É no fundo ser cético em relação a forma, conceitos e trabalhos realizados.
Normalmente os que estão umbandistas são os que somem ao primeiro sinal de provação de fé. E só para lembrar até Cristo teve sua provada, então o que dirá de nós meros aprendizes na seara divina.
Sejamos sempre para não estarmos, pois ao estarmos podemos não encontrar o bem maior que o Pai Celestial nos reservou que é a evolução espiritual e o conforto d´alma.
E você, já pensou se é umbandista ou está umbandista ?
Wahari
Membro do Templo e Escola de Umbanda Luz da Aruanda - TEU LAR

quarta-feira, 10 de março de 2010

Culto a Orixás

Outro dia fui questionado por uma pessoa sobre quais Orixás cabem na Umbanda e que era necessário um denominador comum, o que a principio me pareceu inocência ou discriminação.

Percebi que da mesma forma vejo que o pantaleão africano incomoda muita gente e é fácil perceber isto pois dede o I Congresso Umbandista em 1941 o tema central foi a “purificação da religião”, por eliminação de elementos africanos. Nos ensinamentos que repasso aos médiuns do Templo e Escola de Umbanda Luz da Aruanda – Teu Lar, temos a visão que tudo faz parte de um processo evolutivo e se estamos falando de Orixá, estamos falando da África. Existe a historia do negro sem o Brasil, mas não há história do Brasil sem o negro, e podemos ter a mesma constatação quando falamos do culto de Nação e a Umbanda, por mais que queiramos deixá-la “pura” pois usamos a referência Orixá/Energia da Natureza e assim tudo que faz parte da Gênese Yoruba cabe de alguma forma dentro da Umbanda.

Uma prova disto é quando entramos em vários templos umbandista, inclusive o Teu Lar, onde não vemos elementos africanos ou culto a Òrìsà e não podem ser classificados por exemplo como Umbanda trançada ou Omolokô, mas sim um respeito a ancestralidade e a força da natureza.

Acreditamos que algumas visões distorcidas pelas pessoas e não pela visão Yorubá, além de toda a discriminação ocorrida por estes cultos tenham atrapalhado no entendimento da sociedade.

Neste ponto a Umbanda tem evoluído de forma fantástica, afinal é difícil para qualquer pessoas desejar ser descendente, iniciado e/ou consagração para um Orixás com as inúmeras “estórias” que degradam nossa crença, como por exemplo a difamação feita à aguerrida Yansã, quando a retratam como mulher mundana que viveu trocando de parceiros, ou a Obá que teria cortado a própria orelha esquerda para fazer uma sopa e oferta-la a Xangô.

A diversidade e as ramificações nos tornam numa religião sem clero-estruturado, mas isto não quer dizer que temos que ser desorganizados e sem representações, ou mesmo que não devemos divulgar a nossa doutrina em livros, internet e etc. É certo que sempre haverá debate sobre este material e isto correrá pois os autores sempre preservarão os “mistérios” e “segredos” que aprenderam.

Uma das maiores belezas que temos é a possibilidade de vermos a Umbanda por vários pontos de vista e assim satisfazermos as pessoas conformes a sua necessidade.

Independente da liturgia, os princípios que norteiam a Umbanda, como a caridade, estão presentes em todas as linhas, e este deve ser o norte seguido por nós.