sábado, 14 de agosto de 2010

Sabão da Costa

Sabão é de origem da Costa do golfo da Guiné, África. Sendo que, na África tem o nome de “ose”, sua cor é escura, a textura é pastosa e o perfume amadeirado, é usado em “rituais” tanto na África como no Brasil. Osé dudu era o nome dado pelos africanos ao sabão da costa.

Ele é usado para lavar todo o material ritualístico do Yawô (quartinhas, fetiches, ferramentas, jóias...) e o próprio. Não há restrição quanto ao seu uso na cabeça ou por mulheres menstuadas. O sabão tem por função a limpeza do corpo físico e da aura e especialmente de sua camada mais próxima ao corpo físico, retirando larvas astrais e miasmas.

Ingredientes para o preparo

1kg de base glicerinada,
recipiente de esmalte ou de vidro temperado (usada só para esse fim),
bastão de vidro ou colher de plástico descartável(ou uma colher de pau, desde que usada só pra isso),
forma ou panela para banho-maria
formas de silicone ou fôrmas de chocolate.
Modo de Preparo
Em um recipiente de esmalte, derreta a base de glicerina em banho-maria até dissolver muito bem, junto com o corante. Não há a necessidade de mexer a base enquanto estiver no banho-maria.
Quando a base estiver totalmente diluída retire do banho-maria e com um auxílio de um bastão de vidro, mexa a base derretida, afastando a nata que irá se criando. Mexa até acabar a evaporação.
Bater no liquidificador:
1 copo de água mineral;
1 Folha de Osibata, Oriri, macassá, elevante, tapete de Osaala, Manjericão, Saião, Capeba, Alfazema, Alecrim, Peregun, Iroko, Pitanga, Colônia, Rosa Branca, Abebe e 1 colher de café de Wadji, 2 colheres de sopa de efun e 1 colher de café de Ossun. Alguns templos umbandistas adicionam Aroeira, Arruda, Guiné, Espada de São Jorge. Bata bem até se tornar um líquido bem escuro.
Desenforme cuidadosamente e acerte as rebarbas. Embale o sabonete com filme plástico e fixe-o com uma etiqueta de identificação.

Significado das ervas:

- Alecrim - Ewere - erva de Oxalá e Yemanjá - sua atribuição é limpar nossa mente de pensamentos ruins - seu Nome significa Erva de Criança;
- Alfavaquinha - Oriri - O próprio nome já diz Orinrin que Dizer Cabeça Fresca;
Alfazema, Lavanda - Aruso - Erva de Oxum e Oxala - nos perfuma e nos acalma é a erva que as baianas usavam pra perfumar Oxalá;
- Boldo, tapete de Oxalá - ewe baba - Erva de Oxalá todos os rituais relacionados a Ori levam esta erva;
- Capeba, Ewe Iya - Folha de Yemanjá, folha mãe todos os rituais que se relacionam ao Ori levam esta folha;
- Catinga de Mulata - Makassá, erva da qual nos traz boa sorte e também nos ajuda a aumentar nossa intuição;
- Colônia - ewe Toto - folha de Yemanjá e Oxum - tem função de acalmar folha também relacionada ao Ori;
- Coqueiro de vênus, nativo - Peregun - Erva de Ossaim e Ogum. È a primeira folha, Indispensável a qualquer ritual de purificação da qual envolva ervas;
- Erva capitão - Abebe - Erva de Oxum - erva que dá poder aos Cantos - Erva da prosperidade e da beleza;
- Gameleira branca - Iroko - O próprio nome já diz é a Folha sagrada da árvore da qual todos os Orixás se reunem, folha da cura;
- Levante ou elevante - Ere Tuntun, erva de Oxalá e Oxum tem o poder da purificação e tranquilizar;
Manjericão - Efirin - Erva de Oxalá e Oxum nos protege contra feitiços;
- Nenufar - Osibata- Primeira Folha de Oxum - Referência a Grande Iyalorisà;
- Pitanga - Ewe Ita - Erva e Oxum- Folha da Prosperidade;
- Rosa Branca - Ewe Olomi - Erva de Osun - usada pra nos dar boa;
- Saião, Odundun - Erva de Oxalá - Folha da sacralização.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mediunidade

Quando falamos de mediunidade temos que lembrar que assumimos compromissos perante o espiritual e lembrar também que se nascemos numa família e lugar, muitas vezes temos responsabilidades e resgates com nossos pais, nossos irmãos, nossos filhos e com todos aqueles que nos rodeiam.

Por que somos médiuns?
Para termos essa resposta precisamos voltar até o desencarne da nossa vida anterior.
Quando nosso Pai Omulú nos segurou em seus braços na hora da morte, ou seja, passagem do plano material para o plano espiritual, o nosso Pai Obaluayê abriu a passagem para a transição de plano para outro na hora do desencarne.
A nossa Mãe Nanã Buroquê decanta nossas lembranças para que o pai Oxumaré renove o nosso novo caminho.


A Mãe Obá traz concentração para que a nossa Mãe Yansã redirecione o espírito. Durante essas atuações nossa Mãe Oyá nos está segurando em seus braços, paralizando-nos para que todos os Orixás tenham tempo infinito para atuarem no espírito direcionando o mesmo para Fé e Evolução.

Nesse momento é feito um estudo de tudo o que você fez em suas vidas anteriores e Deus através de seus mentores verificam o que necessitamos de instrumento para tornar nossa reencarnação uma escala de evolução da alma.

Deus nos empresta essa faculdade ou dom para que possamos através dela cumprir a Sua vontade e nossas missões em matéria.

A ligação com o “cordão umbilical” depende disso, ou seja, nós é que pedimos para Deus esta oportunidade. Então é um compromisso assumido ainda em plano espiritual.

Durante a preparação para a reencarnação do espírito inicia-se um novo ciclo, onde a nossa Mãe Nanã Buroquê através da decantação nos faz esquecer dos compromissos assumidos.

Seria muito fácil se soubéssemos o que Deus espera de nós, porém nossos resgates e evolução do espírito não teriam o mesmo valor, e, além disso, não passaríamos pelo difícil teste do Livre Arbítrio.

Após a decantação do espírito é através do amor de um casal que Mãe Oxum concebe a semente do ser que será gerado por Mãe Yemanjá, Pai Obaluayê reduz o espírito ao tamanho do feto para ser instalado no tempo certo no útero da mãe, e após nove meses será reconduzido a luz da carne.

E nosso Pai Oxalá desenvolverá sua fé, nosso Pai Oxóssi lhe trará conhecimento, nosso Pai Ogum a ordem para que sempre saiba respeitar a Lei Maior e a Justiça Divina.

Tipos de Mediunidade

INTUIÇÃO: É um tipo de mediunidade onde o médium recebe em seu pensamento, sob a forma de uma sugestão, mensagens provindas de um espírito.
A intuição nem sempre deve ser seguida, a não ser que o médium consiga identificar a entidade que o está intuindo.
Essa identificação, ele aprenderá a fazer no seu desenvolvimento, pois cada entidade produz uma sintonia diferente no organismo.

INCORPORAÇÃO: É o acoplamento magnético dos perispíritos do médium e do espírito comunicante. É assim que acontece em todo tipo de incorporação. Não há como ser diferente. É a mediunidade em que o médium sintoniza a vibração da entidade e essa vibração toma conta de todo o seu corpo. Toda incorporação ocorre como você está podendo observar, ou seja, é com o esforço da concentração do médium e do espírito que a rotação dos chakras de ambos atinge uma velocidade próxima, criando assim a sintonia necessária para que os pensamentos e desejos de um sejam percebidos pelo outro. Sintonia essa que é mental e pode produzir uma incorporação parcial ou uma integral.

Os chakras localizam-se em regiões que correspondem, no corpo físico, a áreas de grande concentração de feixes nervosos chamadas gânglios. Assim, as sensações que o médium tem são provenientes da excitação do sistema nervoso através da atuação nos chakras. Dessa forma, antes de a mensagem do guia sair pela boca do médium, ela passa pela mente dele. São os tais “pensamentos impostos”, aos quais você se referiu. Isso ocorre quase simultaneamente, tamanha é a rapidez desse processo.

No acoplamento magnético do espírito comunicante ao espírito do médium, ocorre a incorporação que pode ser “Consciente ou Inconsciente”. A diferença destas duas é justamente a velocidade com que os pensamentos do guia passam pela mente do médium, pois, se for muito rápido, eles podem passar despercebido e assim a pessoa diz que não lembra ter feito ou dito determinada coisa. Essa velocidade na passagem do pensamento do guia pela mente do médium é diretamente influenciada pela capacidade de sintonia entre os perispiritos.

Quanto mais próxima a rotação dos chakras do médium e do guia, maior a sintonia entre ambos e maior a velocidade e a facilidade com que os pensamentos do guia passam pela mente do médium, logo, menor é o grau de consciência do médium nessa comunicação, pois sua resistência aos pensamentos do guia é menor. Essa sintonia quase perfeita é difícil de ser conseguida pois vários são os fatores que alteram a capacidade do médium em alcançar a sintonia mais próxima da faixa vibracional do guia. Entre eles, o mais comum é o tipo de mediunidade mesmo, pois a mediunidade inconsciente é realmente muito rara.

Na “incorporação parcial (consciente)”, o médium sabe que está ali, sente, observa, mas não domina o corpo nem controla o raciocínio. Perde, também, a noção de tempo e, embora tenha sido espectador de si mesmo, perde a noção de muita coisa que se passou, ao desincorporar. Pode haver uma quebra de sintonia ocasional, o que permitirá ao médium interferir na comunicação.

Na ”incorporação integral (inconsciente)”, há no médium uma perfeita sintonia com a vibração da entidade. Nesse caso, não há possibilidade de interferência e, ao desincorporar, o médium não vai se lembrar de nada do que se passou. Queremos esclarecer que a "incorporação parcial (consciente)" é tão autentica quanto a "incorporação integral (inconsciente)". O único problema é o médium não interferir, procurando se isolar e deixar que a entidade atue livremente.

Existe também uma outra mediunidade chamada de "semi-consciente", esta como o próprio nome diz, ela é uma intermediária entre a modalidade consciente e inconsciente.
Na mediunidade “semi-consciente”, comparando com a consciente, o guia tem um maior controle sobre as necessidades fisiológicas do médium, há uma maior resistência à dor, a noção de tempo fica embotada mas o médium ainda apresenta alguma resistência aos pensamentos do guia. Podemos dizer que a esmagadora maioria dos médiuns (mais de 95%) trabalha em incorporação parcial (consciente) e uma pequeníssima minoria (menos de 5%), em incorporação integral (inconsciente).


VIDÊNCIA: É o tipo de mediunidade que permite, àquele que a possui desenvolvida, ver as entidades, as irradiações.

CLARIVIDÊNCIA: É o tipo de mediunidade que permite ver fatos que ocorrem no passado e que ocorrerão no futuro.
Os clarividentes podem ver os corpos astral e mental de outras pessoas, e tomar conhecimento da vida em outros planos espirituais. É um tipo de mediunidade difícil de ser encontrado.

AUDIÇÃO: O médium ouve uma voz clara e nítida nos seus ouvidos e dessa forma recebe as mensagens.
Na audição, devemos ter o mesmo cuidado que temos na intuição, no que diz respeito a identificação de quem está dando a mensagem.

TRANSPORTE: É a capacidade de visitar espiritualmente outros lugares, enquanto o corpo físico permanece repousando tranqüilamente; o espírito se desliga do corpo e vai para o espaço. Esse transporte pode ser voluntário ou involuntário.

No transporte voluntário, o médium se predispõe a realizá-lo. Ele se concentra e se projeta espiritualmente a outros lugares, tomando conhecimento do que vê e do que ouve.
O transporte involuntário, ocorre durante o sono. Todos nós nos desligamos do corpo físico durante o sono e entramos em contato com pessoas e lugares dos quais não nos recordamos ao acordar.

As vezes, recebemos nesses transportes soluções para os nossos problemas que, mais tarde, nos parecerão idéias próprias.

A respeito, diz um ditado popular: “Para a solução de um grande problema, nada melhor que uma boa noite de sono”.

DESDOBRAMENTO: É o afastamento do espírito com o seu perispírito do corpo, permanecendo ligados a cordões fluídicos, permitindo ao espírito tomar conhecimento de tudo que se passa com o corpo físico e, se necessário retornar instantaneamente. Podem ser classificados em:
Consciente:- Quando guarda conhecimento do processo ocorrido;
Inconsciente:- Quando ao retornar do processo nada recorda;
Voluntário:- Quando o próprio médium promove o afastamento;
Provocado:- Quando há interferência de agentes externos (encarnados e desencarnados), através de processos hipnóticos e magnéticos.

PSICOGRAFIA: Tipo de mediunidade muito comum, podendo ser intuitiva, semi-mecânica ou mecânica. É o ato de escrever um texto no exato momento em que se recebe a mensagem do espírito.
Na psicografia intuitiva, o médium recebe as mensagens na mente e as passa para o papel. É pura intuição.
Na psicografia semi-mecânica, o médium à medida que vai escrevendo, vai também tomando conhecimento do que escreve. O espírito atua, simultaneamente, na mente e na mão do médium.
Na psicografia mecânica, o espírito atua somente na mão do médium que escreve sem tomar conhecimento da mensagem recebida.
Na psicopictografia, é quando ao invés de escrever, o espírito utiliza a mão do médium para pintar.


Nota que todos esses sintomas tendem a desaparecer com a preparação espiritual e o desenvolvimento mediúnico, mas o tempo necessário ao desenvolvimento dependera muito do grau de mediunidade, do interesse e da preparação espiritual do médium.


Sintomas clássicos da mediunidade:
Suor excessivo nas mãos e axilas, principalmente nas mãos;
As mãos ficam molhadas, quase geladas;
Os pés também podem ficar gelados;
As maças do rosto muito vermelhas e quentes;
As orelhas ardem;
Dormência em alguma parte do corpo principalmente nas mãos.
Na mão a linha da vida fica vermelha quando esta em algum ambiente com muita vibração.

Depressão Psíquica:
A pessoa fica totalmente instável, passando de uma grande alegria para uma profunda tristeza sem motivo aparente. Fica melancólica e sente uma profunda solidão. É como se o mundo todo estivesse voltado contra ela.

É facilmente irritável e, nessa fase, ela vai ferir com palavras e gestos aqueles que mais gosta.

Alterações no Sono
São classificados em dois estilos:-

Insônia: à É provocada pela aceleração no cérebro devida à vibração. Os pensamentos voam de um assunto para outro, incontroláveis, e a pessoa não consegue dormir.
Sono Profundo: É devido à perda de ectoplasma, de força vital. Há um enfraquecimento geral do organismo e as vibrações da pessoa são reduzidas.


Taquicardia

Comum em algumas pessoas, há uma súbita alteração no ritmo dos batimentos cardíacos, fruto do aceleramento provocado pela vibração atuando.


Tipologia
São classificados em dois estilos:

PERDA DO EQUILÍBRIO à A perda de equilíbrio é uma sensação muito rápida. A pessoa pensa que vai cair e tenta se segurar em alguma coisa, mas a sensação termina antes que ela consiga fazer qualquer gesto. É extremamente desagradável.
SENSAÇÃO DE DESMAIO à A sensação de desmaio normalmente ocorre quando a vibração abandona a pessoa bruscamente. Ela fica muito pálida e tem que sentar para não cair. As vezes ocorre sensação de vomito ou de diarréia. Um copo de água com bastante açúcar e respiração pela narina direita normalmente bastam para contornar essa situação.


MEDOS E FOBIAS

A pessoa fica com medo de sair sozinha, de se alimentar, de tomar remédios, pois acha que tudo lhe fará mal.
As vezes tem medo de dormir sozinha ou com a luz apagada.
É muito comum, também, uma total insegurança em tudo o que vai fazer.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Porque o ÈSÙ-ELEGBA (africano) foi associado ao diabo?

Èsù é o primeiro nascido da existência e, como tal, o símbolo do elemento procriado. Mensageiro dos Orixás, elemento de ligação entre as divindades e os Homens, a um tempo mais próximo do mundo terreno e mais perto do elevadíssimo espaço celeste por onde transita Òrúnmìlà, é um orixá, é sempre a primeira divindade a receber as oferendas, justamente para que atue como um aliado e não como um rival que perturbe os procedimentos místicos desenvolvidos durante os rituais. Coerente com seu lugar místico privilegiado, é ele que abre esse "corpus mitopoético".

Princípio dinâmico e princípio da existência individualizada, Èsù não pode ser isolado ou classificado em nenhuma das categorias. Ele é como o axé (que ele representa e transporta), participa forçosamente de tudo.

Os assentamentos de Èsù encontrados na África eram considerados obscenos e imorais pelos europeus que lá chegaram. Em toda expedição que era feita à África sempre tinham padres missionários com a finalidade de catequizar e converter os pagãos africanos. E naturalmente essa catequese não permitia que continuassem a cultuar seus Orixás pagãos. (Pierre Verger - Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns – pág. 133)

Os amigos viajantes muito falaram dessa divindade que a todos impressionava por seu aspecto erótico. Pruneau de pommegorge foi o primeiro que; tanto quanto podemos saber, descreveu um Legba. Eis como apresenta o Legba de Ouidah, onde permaneceu de 1743 a 1765.

A um quarto de légua dos fortes os dahomets ainda têm um deus Príapo, feito grosseiramente de terra, com seu principal atributo, que é enorme e exagerado em relação à proporção do restante do corpo. As mulheres, sobretudo, vão oferecer-lhes sacrifícios, de acordo com sua devoção e com o pedido que lhe farão. Esta má estátua encontra-se debaixo do forro de uma choupana que a abriga da chuva.

A representação de Èsù na África é um pênis que para o africano é o símbolo masculino da procriação, da fertilidade masculina, sem ele ninguém nasceria, o pênis é o veículo do sêmen fecundador e gerador do ser humano. É visto com naturalidade, sem malícia e sem obscenidade.

Para os africanos o pênis é representado naturalmente, uma escultura, como aquelas que se vê nos museus europeus em estátuas gregas e romanas.

Os europeus ao chegarem na África encontraram figuras com um pênis na cabeça, sem a capa de tecido da foto acima, que foi colocada para tirar a foto e para ficar mais discreto aos olhos não acostumados ou maliciosos.
Imaginem os missionários, devem ter ficado horrorizados com tanta indecência e imoralidade, logo taxaram como coisa do Diabo que os africanos nunca tinham ouvido falar.

Existem várias representações de Èsù. Eshu, Exú, Elegbara, legba são algumas formas de escrever. Segundo Pierre Verger em Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns (pág. 119).
Èsù Elegbara e Legba na África, Èsù Elegbara dos yorùbá, Legba dos fon, encerra aspectos múltiplos e contraditórios que dificultam uma apresentação e uma definição coerentes.

A ligação de Èsù com Diabo na África, nada mais foi do que uma arma usada pelos missionários para que os pagãos se convertessem ao cristianismo e abandonassem suas crenças.

Enquanto no candomblé tradicional Èsù é cultuado como um Orixá guardião da comunidade, protetor da casa e das pessoas que lá buscam ajuda, pois não incorporam nas pessoas aleatoriamente, é um Orixá como outro qualquer, mas só vai incorporar na pessoa que for seu filho.

Cada Omo Òrìsà tem seu Èsù pessoal que é assentado juntamente com o seu Orixá por ocasião da iniciação, mas esse também não incorpora é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é um protetor.

Estes Èsù não incorporam em ninguém, seus assentamentos são feitos cada um com material específico e para uma finalidade específica.

Èsù Yangi
Senhor da Laterita Vermelha
Èsù Agba
Senhor Ancestral
Èsù Igba Keta
Senhor da Terceira Cabaça
Èsù Okoto
Senhor do Caracol
Èsù Oba Bàbá ÈsùRei e Pai de todos os Èsùs
Èsù Odara
Senhor da Felicidade
Èsù Osije
Mensageiro Divino
Èsù Eleru
Senhor da Obrigação Ritual
Èsù Enu GbarijoSenhor da Boca Coletiva
Èsù Elegbara
Senhor do Poder Mágico
Èsù Bara
Senhor do Corpo
Èsù Lònán
Senhor dos Caminhos
Èsù Olobe
Senhor da Faca
Èsù Elebo
Senhor das Oferendas
Èsù Àláfia
Senhor da Satisfação Pessoal
Èsù Oduso
Vigia dos Odus


Muitos espíritos de Umbanda, Quimbanda, adotaram o nome de Exú para se identificarem, e incorporam em médiuns desenvolvidos, são comparados ao Diabo através de imagens de gesso em formato de capeta com chifre e rabo, são pintadas de vermelho e muitos usam capas pretas
Os falangeiros (Guias representantes) de Exu trazem na frente de seus nomes o próprio nome do Orixá: Exu ou Pomba-gira (que tem como origem na Angola - bombogira, que é a representação de Exu em forma feminina).
São exemplos de alguns falangeiros (Guias representantes) de Exu na Umbanda:
Exu das Sete Encruzilhadas, Exu Pé de Ferro, Exu Veludo, Exu Marabô, ... (Exus Masculinos); Pomba-gira Maria Padilha, Maria Molambo, Maria Quitéria, ... (Exus Femininos).
As vezes, pelos fato dos falangeiros (Guias representantes) de Exu utilizarem o seu nome do Orixá, Exu, na frente de seus nomes, pode causar alguma confusão entre os praticantes da Umbanda, pois confundem o guia com o Orixá. Isso já não acontece no Candomblé, pois não existe o trabalho de Guias representantes, só do Orixá e suas qualidades (dijinas).
No sincretismo Judaico-Cristão Exu foi associado a imagem de Santo Antônio, mas pejorativamente, por suas características e cores, foi associado também ao Diabo, a Satanás. Essa é uma associação que é, além de injusta, é ignorante, pois Exu é o próprio sentido da vida, da criação, do amor, do bem viver.

Temos que considerar também que a Coroa Portuguesa criou uma lei que, no seu primeiro artigo, determinava que todos deveriam ser batizados na religião católica. Essa legislação atendia, acima de tudo, às relações entre o governo português e a igreja católica, e à teologização da igreja católica a respeito da África, dos africanos e da escravidão.

O Padre Antônio Vieira em seus Sermões (XI e XXVIII), afirma que a África é o inferno onde Deus se digna a retirar os condenados, pelo purgatório da escravidão nas Américas.

Recentemente assisti o filme “A Dança das Cabaças”, um fantástico documentário sobre este preconceito,que esta disponivel no blog original Danças das Cabaças http://dancadascabacas.blogspot.com/

terça-feira, 22 de junho de 2010

O caroço de Dendê

Quando o mundo foi criado, o caroço de dendezeiro teve uma grande responsabilidade dada pôr Olorum, a de guardar dentro dele todos os segredos do mundo.

No mundo Yorubá, guardar segredos é o maior Dom que Olorum pode dar a um ser humano. É pôr isso que todo caroço de dendê que tem quatro furinhos é o que temtodo o poder. Através de cada furo, ele vê os quatro cantos do mundo para ver como vão as coisas e comunicar a Olorum.

E mais ninguém pode saber desses segredos, para não haver discórdia e desarmonia. É pôr meio dessa fórmula que o mundo tem seus momentos de paz. Existe também o caroço de dendê que tem três furos, mas a esse não foi dada a responsabilidade de guardar os segredos.

Existe uma lenda que diz que Exu, com raiva desta condição que Olorum deu ao coco dendezeiro de quatro furos, quis criar o mesmo poder de ver tudo à sua moda, com brigas e discórdias. Ele chamou o coco de dendê de três furos e disse.
- Olhe, de hoje em diante, eu quero que você me conte tudo o que vê. Aí o dendê lhe respondeu: - Como? Se eu só tenho três olhos e não quatro, como meu irmão, a quem Olorum deu este poder?
- Ousas me desobedecer a dendê?
– disse Exu aborrecido.
- Sim! Tu não és mais do que aquele que é responsável pela minha existência e atua – respondeu o coco de dendê.
Dizendo isto, sumiu. E Exu, desta vez, não foi feliz na sua trama. .

Itan de Ogun

"OGUM MATA SEUS SÚDITOS E É TRANSFORMADO EM ORIXÁ"

Ogum, filho de odudua, sempre guerreava, trazendo o fruto da vitória para o reino de seu pai.Amante da liberdade e das aventuras amorosas, foi com umamulher chamada Ojá que Ogum teve o filho Oxóssi.Depois amou Oiá, Oxum e Obá, as três mulheres de seumaior rival, Xangô.

Ogum seguiu lutando e tomou para si a coroa de Irê, que naépoca era composto de sete aldeias.Era conhecido como o Onirê, o rei de Irê, deixando depoiso trono para seu próprio filho.

Ogum era o rei de Irê, Oni Irê, Ogum Onirê.Ogum usava a coroa sem franjas chamada " acorô ".Por isso também era chamado de Ogum Alacorô.Conta-se que, tendo partido para a guerra, Ogum retornoua Irê depois de muito tempo. Chegou num dia em quese realizava um ritual sagrado.

A cerimônia exigia a guarda total do silêncio.Ninguém podia falar com ninguém.Ninguém podia dirigir o olhar para ninguém.

Ogum sentia sede e fome, mas ninguém falava com ele.Ninguém o ouvia, ninguém o entendia.Ogum pensou que não havia sido reconhecido.Ogum sentiu-se desprezado. Depois de ter vencido aguerra, sua cidade não o recebia.Ele, o rei de Irê.

Não reconhecido pela sua própria gente !!Humilhado e enfurecido, Ogum, espada em punho,Pôs-se a destruir a tudo e a todos.Cortou a cabeça de seus súditos.

Ogum lavou-se com sangue.Ogum estava vingado.

Então a cerimônia religiosa terminou e com ela aImposição de silêncio foi suspensa.Imediatamente, o filho de Ogum, acompanhadopor um grupo de súditos, ilustres homens salvosda matança, veio à procura do pai.

Eles renderam as homenagens devidas ao rei e aoGrande guerreiro Ogum.Saciaram sua fome e sede.Vestiram Ogum com roupas novas, cantaram edançaram para ele.Mas Ogum estava inconsolável.

Havia matado quase todos os habitantes da sua cidade.Não se dera conta das regras de uma cerimônia tãoimportante para todo o reino.Ogum sentia que já não podia ser o rei.

Ogum estava arrependido da sua intolerância, envergonhado por tamanha precipitação.Ogum fustigou-se dia e noite em autopunição.

Não tinha medida seu tormento,nem havia possibilidadede autocompaixão.Ogum então enfiou sua espada no chão e num átimo de segundo a terra se abriu e ele foi tragado solo abaixo.

Ogum estava no Orun, o Céu dos Deuses.Não era mais humano.
Tornara-se um Orixá.

===============MITOLOGIA DOS ORIXÁS - Reginaldo Prandi
Companhia Das Letras - 2001P
esquisa do autor.:Pierre Verger,1957,p 142 - 1999,p 152]
Ulli Beier,1980,pp.34-5;verger 1980,p.286;Veger 1981(b)
Pp 23-4;Verger 1985,p.15===============

Os Caminhos de Ifá

Ifá é o sistema através do qual se processa a consulta oracular, popularmente tratada por adivinhação.O oráculo baseia-se nos dezesseis principais Odù (caminhos), através dos quais Orunmila relata histórias e lendas cujos personagens normalmente enfrentam situações similares aquelas expostas pelo consulente. Mas a escolha da história a ser narrada compete à Divindade.Os dezesseis Odù relacionam-se com si próprios (16 x 16), perfazendo um total de 256 caminhos ou diferentes possibilidades de destino, tratados por Esè.
No momento da consulta, Orunmila envia o Odù que será suficiente para orientar as dúvidas do consulente e esclarece de que forma tal caminho (positiva ou negativa) está influenciando a vida da pessoa. O Sacerdote interpreta a fala da Divindade, estabelece os pontos principais que devam ser modificados para restabelecer a tranquilidade ou o bem estar físico,financeiro, sentimental etc. A partir daí resta definir quais oferendas votivas (Ebò) devem ser realizadas para possibilitar a consecução do prognóstico, bem como aconselhar a respeito de atitudes ou comportamentos que facilitem o resultado pretendido.
Assim, por exemplo, quando um indivíduo queixa-se de não conseguiremprego, mas insiste em continuar numa área onde o mercado de trabalho estácompletamente saturado, Orunmila pode esclarecer as suas dificuldades,recomendar os Ebò necessários e aconselhá-lo a tentar outra profissão para aqual tenha aptidão, ou simplesmente deslocar-se para outra região onde sejamais simples conseguir ocupação. Em outras palavras, o Céu sempre ajuda, mas a pessoa deve também fazer a sua parte.

Os Odù de Ifá são completos e absolutos; cada um deles possui umlado claro e outro escuro, ou seja, um lado positivo e outro negativo, o Inge o Iang, o masculino e o feminino e assim por diante, a feição de tudo o mais no Universo.Não existe Odú melhor que outro; dependendo das circunstâncias, o melhor deles transforma-se no pior, e vice-versa..
A participação fundamental do Òrìsà Esù
Esù Ojisebo
A interpretação das falas do Oráculo é feita pelo Sacerdote preparado para essa finalidade e ocorre através do auxílio poderoso do Òrìsà Esù, o grande mensageiro e intermediário entre os seres humanos e as Potências Divinas.
Esù é quem movimenta as peças do jogo (búzios) para formar as configurações que serão interpretadas pelo Sacerdote. Sem a participação dessa Divindade, as respostas seriamtotalmente ininteligíveis para os seres humanos.
É ele que acompanha atentamente as atitudes e palavras tanto do sacerdote quanto do consulente, principalmente quanto à sinceridade de cada um no momento da consulta.
Da mesma forma é quem fiscaliza todo os procedimentos rituais, desde a consulta oracular até a elaboração das oferendas votivas determinadas. Após isso, ainda é Òrìsà Esù que transporta as oferendas para o mundo espiritual (Òrún) e, se forem aceitas, traz de volta a resposta Divina, na forma da benção solicitada. Torna-se então essa Divindade o grande aliado da Homem na realização do próprio destino.
Os Dezesseis Odùs de Ifà
01 Èjì Méjì / Ogbè Méjì
02 Òyèkú Méjì
03 Ìwòrì Méjì
04 Òdí Méjì
05 Ìrosùn Méjì
06 Òwónrín Méjì
07 Òbàrà Méjì
08 Òkànràn Méjì
09 Ògúndá Méjì
10 Òsá Méjì
11 Ìká Méjì
12 Òtúrúpòn Méjì
13 Òtúrá Méjì
14 Ìretè Méjì
15 Òsé Méjì
16 Òfún Méjì

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Axé, efun e waji

Para os Yorubás, o asé, ou mais popularmente conhecido como axé, que é a força vital.
Segundo Maupoil (citado por E. dos Santos, 1986) axé é a força invisível, a força mágico-sagrada de toda divindade, de todo ser animado, de toda coisa. Não aparece espontaneamente, precisa ser transmitida.

Qualquer chance de realização na existência depende do axé que, enquanto força, obedece a algumas leis:
1. é absorvível, desgastável, elaborável e acumulável;
2. é transmissível através de certos elementos materiais, de certas substâncias;
3. uma vez transferido por essas substâncias a seres e objetos, neles mantém e renova o poder de realização;
4. pode ser aplicado a diversas finalidades;
5. sua qualidade varia segundo a combinação de elementos que o constituem e que são, por sua vez, portadores de uma determinada carga, de uma particular energia e de um particular poder de realização. O axé dos Orixás, por exemplo, é realimentado através de oferendas e de ação ritual, transmitido por intermédio da iniciação e ativado pela conduta individual e ritual;
6. pode diminuir ou aumentar.

O axé encontra-se numa grande variedade de elementos do reino animal, vegetal e mineral.
Encontra-se em elementos da água, doce e salgada e da terra. Acha-se contido nas substâncias essenciais de seres, animados ou não.

Elbein dos Santos (1986) apresenta uma classificação do axé em categorias: sangue vermelho, sangue branco e sangue preto. O sangue vermelho, no reino animal compreende o sangue propriamente dito, animal e humano, aí incluído o fluxo menstrual; no reino vegetal, inclui o epo, azeite de dendê, o osun, pó vermelho extraído de pterocarpus erinacesses e o mel, sangue das flores. O sangue branco, inclue: no reino animal, o hálito, o plasma, o sêmen, a saliva, o suor e outras secreções; no reino vegetal, a seiva, o sumo, o álcool e as bebidas brancas extraídas de palmeiras e de alguns vegetais, o ori, manteiga vegetal e oiyerosun, pó esbranquiçado extraído do irosun; no reino mineral, os sais, o giz, a prata, o chumbo, etc.

O sangue preto compreende, no reino animal, as cinzas de animais; no vegetal, o sumo escuro de certas plantas, o ilu, índigo extraído de diferentes tipos de árvores, pó azul escuro chamado wáji; no reino mineral, o carvão, ferro, etc.

Para poder atuar, o axé deve ser transmitido através de uma combinação particular que contém representações materiais e simbólicas do branco, do vermelho e do preto, do aiye e do orun, competindo ao oráculo a definição da composição necessária do axé a ser implantado ou restituído.

O sangue - animal, vegetal ou mineral - é substância indispensável para a restauração da força.
Todo ritual, seja uma oferenda, um processo iniciático ou uma consagração, realiza implante da força ou revitalização.
O que vive,
para poder realizar-se ou realizar,
precisa de axé e,
não sendo a fonte inesgotável,
a reposição se faz necessária
e é obtida através da prática ritual
que reatualiza a força do tempo primordial,
o tempo da criação!

A importância da regularidade dos ritos reside no fato de que a presença das entidades sobrenaturais é favorecida pela atividade ritual, ocasião privilegiada da transferência e redistribuição do axé. Este, oriundo das mãos e do hálito dos mais antigos, na relação interpessoal, é recebido através do corpo e atinge níveis profundos, incluídos os da personalidade, através do sangue mineral, vegetal e animal das oferendas.

Primeiramente, gostaria de citar que existem diferenças entre efun e pemba, osùn e urucum, wàji e anil, estes primeiros facilmente importados do continente Africano, não havendo a necessidade de substituí-los.

Efun é um nome jeje-nago dado a vários tipos de pó, utilizados nos rituais afro brasileiro. É muito mais conhecido pelos leigos e na Umbanda como pemba, nomeclatura utilizada pela nação angola.
No Afro-brasileiro utilizamos somente três pinturas durante a cerimônia do EFUN AGBÉ: efun - (um tipo de argila branca), osùn – um tipo de pó vermelho, obtido da árvore Baphia nitida e Peterocarpus osun ambas Leguminosae Papilionoideae e o wáji – um tipo de pó azul, obtido da árvore Indigofera sp. Leguminosae Papilionoideae.

Cada uma destas cores estão relacionadas com determinados Odus e existem vários significados para as pinturas, poderei citar as três principais a saber: As três representam as três passagens do dia, o amanhecer (efun) o crepusculo (osùn) e o anoitecer (wàji). Essas pinturas também representam uma forma de proteção contra as forças maléficas das três principais Iyami Àjé (as feiticeiras) impedindo-as que pousem sobre as pessoas e uma das principais caracteristicas destas pinturas, tem como objetivo vincular todo o àse transmitido ao noviço durante os ritos da iniciação.

O wáji é um elemento muito importante no culto aos Orixás, uma vez que, junto com outros elementos, ajuda a proteger a cabeça dos nossos iyawos contra as Ajé. Segunda a crença africana essas pinturas impediriam que eleyé (ave ligada as Iyami) pousasse no ori das neoiniciadas, pois caso isso ocorresse seria um desastre para vida dessa pessoa.

O wáji representa a cor dundun (preta), o sangue azul que vem das folhas. Existem diversas espécies que podem ser utilizadas para a produção de corantes azuis como a Isatis tinctoria , Indigofera tinctoria e o Lonchucarpus cyanescens. Segundo alguns relatos, as duas primeiras não seriam utilizadas para a produção do wáji tradicional, sendo apenas usadas para a confecção do anil (usado para tingir jeans, por exemplo). O verdadeiro wáji seria, portanto, retirado do processo de fermentação das folhas do Lonchucarpus sp. que é conhecido pelo nome de índigo africano ou índigo Yorubá.

O processo de fabricação desse corante era complexo e exigia grande perícia, sendo cercado de prescrições e proibições rituais. Era tão importante que os tinteiros Yorubás cultuavam até uma divindade específica para essa finalidade, Iyá Mapo. O pano tingido de índigo significava riqueza, abundância e fertilidade.