quinta-feira, 24 de junho de 2010
Porque o ÈSÙ-ELEGBA (africano) foi associado ao diabo?
Princípio dinâmico e princípio da existência individualizada, Èsù não pode ser isolado ou classificado em nenhuma das categorias. Ele é como o axé (que ele representa e transporta), participa forçosamente de tudo.
Os assentamentos de Èsù encontrados na África eram considerados obscenos e imorais pelos europeus que lá chegaram. Em toda expedição que era feita à África sempre tinham padres missionários com a finalidade de catequizar e converter os pagãos africanos. E naturalmente essa catequese não permitia que continuassem a cultuar seus Orixás pagãos. (Pierre Verger - Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns – pág. 133)
Os amigos viajantes muito falaram dessa divindade que a todos impressionava por seu aspecto erótico. Pruneau de pommegorge foi o primeiro que; tanto quanto podemos saber, descreveu um Legba. Eis como apresenta o Legba de Ouidah, onde permaneceu de 1743 a 1765.
A um quarto de légua dos fortes os dahomets ainda têm um deus Príapo, feito grosseiramente de terra, com seu principal atributo, que é enorme e exagerado em relação à proporção do restante do corpo. As mulheres, sobretudo, vão oferecer-lhes sacrifícios, de acordo com sua devoção e com o pedido que lhe farão. Esta má estátua encontra-se debaixo do forro de uma choupana que a abriga da chuva.
A representação de Èsù na África é um pênis que para o africano é o símbolo masculino da procriação, da fertilidade masculina, sem ele ninguém nasceria, o pênis é o veículo do sêmen fecundador e gerador do ser humano. É visto com naturalidade, sem malícia e sem obscenidade.
Para os africanos o pênis é representado naturalmente, uma escultura, como aquelas que se vê nos museus europeus em estátuas gregas e romanas.
Os europeus ao chegarem na África encontraram figuras com um pênis na cabeça, sem a capa de tecido da foto acima, que foi colocada para tirar a foto e para ficar mais discreto aos olhos não acostumados ou maliciosos.
Imaginem os missionários, devem ter ficado horrorizados com tanta indecência e imoralidade, logo taxaram como coisa do Diabo que os africanos nunca tinham ouvido falar.
Existem várias representações de Èsù. Eshu, Exú, Elegbara, legba são algumas formas de escrever. Segundo Pierre Verger em Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns (pág. 119).
Èsù Elegbara e Legba na África, Èsù Elegbara dos yorùbá, Legba dos fon, encerra aspectos múltiplos e contraditórios que dificultam uma apresentação e uma definição coerentes.
A ligação de Èsù com Diabo na África, nada mais foi do que uma arma usada pelos missionários para que os pagãos se convertessem ao cristianismo e abandonassem suas crenças.
Enquanto no candomblé tradicional Èsù é cultuado como um Orixá guardião da comunidade, protetor da casa e das pessoas que lá buscam ajuda, pois não incorporam nas pessoas aleatoriamente, é um Orixá como outro qualquer, mas só vai incorporar na pessoa que for seu filho.
Cada Omo Òrìsà tem seu Èsù pessoal que é assentado juntamente com o seu Orixá por ocasião da iniciação, mas esse também não incorpora é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é um protetor.
Estes Èsù não incorporam em ninguém, seus assentamentos são feitos cada um com material específico e para uma finalidade específica.
Èsù Yangi
Senhor da Laterita Vermelha
Èsù Agba
Senhor Ancestral
Èsù Igba Keta
Senhor da Terceira Cabaça
Èsù Okoto
Senhor do Caracol
Èsù Oba Bàbá ÈsùRei e Pai de todos os Èsùs
Èsù Odara
Senhor da Felicidade
Èsù Osije
Mensageiro Divino
Èsù Eleru
Senhor da Obrigação Ritual
Èsù Enu GbarijoSenhor da Boca Coletiva
Èsù Elegbara
Senhor do Poder Mágico
Èsù Bara
Senhor do Corpo
Èsù Lònán
Senhor dos Caminhos
Èsù Olobe
Senhor da Faca
Èsù Elebo
Senhor das Oferendas
Èsù Àláfia
Senhor da Satisfação Pessoal
Èsù Oduso
Vigia dos Odus
Muitos espíritos de Umbanda, Quimbanda, adotaram o nome de Exú para se identificarem, e incorporam em médiuns desenvolvidos, são comparados ao Diabo através de imagens de gesso em formato de capeta com chifre e rabo, são pintadas de vermelho e muitos usam capas pretas
Os falangeiros (Guias representantes) de Exu trazem na frente de seus nomes o próprio nome do Orixá: Exu ou Pomba-gira (que tem como origem na Angola - bombogira, que é a representação de Exu em forma feminina).
São exemplos de alguns falangeiros (Guias representantes) de Exu na Umbanda:
Exu das Sete Encruzilhadas, Exu Pé de Ferro, Exu Veludo, Exu Marabô, ... (Exus Masculinos); Pomba-gira Maria Padilha, Maria Molambo, Maria Quitéria, ... (Exus Femininos).
As vezes, pelos fato dos falangeiros (Guias representantes) de Exu utilizarem o seu nome do Orixá, Exu, na frente de seus nomes, pode causar alguma confusão entre os praticantes da Umbanda, pois confundem o guia com o Orixá. Isso já não acontece no Candomblé, pois não existe o trabalho de Guias representantes, só do Orixá e suas qualidades (dijinas).
No sincretismo Judaico-Cristão Exu foi associado a imagem de Santo Antônio, mas pejorativamente, por suas características e cores, foi associado também ao Diabo, a Satanás. Essa é uma associação que é, além de injusta, é ignorante, pois Exu é o próprio sentido da vida, da criação, do amor, do bem viver.
Temos que considerar também que a Coroa Portuguesa criou uma lei que, no seu primeiro artigo, determinava que todos deveriam ser batizados na religião católica. Essa legislação atendia, acima de tudo, às relações entre o governo português e a igreja católica, e à teologização da igreja católica a respeito da África, dos africanos e da escravidão.
O Padre Antônio Vieira em seus Sermões (XI e XXVIII), afirma que a África é o inferno onde Deus se digna a retirar os condenados, pelo purgatório da escravidão nas Américas.
Recentemente assisti o filme “A Dança das Cabaças”, um fantástico documentário sobre este preconceito,que esta disponivel no blog original Danças das Cabaças http://dancadascabacas.blogspot.com/
terça-feira, 22 de junho de 2010
O caroço de Dendê
No mundo Yorubá, guardar segredos é o maior Dom que Olorum pode dar a um ser humano. É pôr isso que todo caroço de dendê que tem quatro furinhos é o que temtodo o poder. Através de cada furo, ele vê os quatro cantos do mundo para ver como vão as coisas e comunicar a Olorum.
E mais ninguém pode saber desses segredos, para não haver discórdia e desarmonia. É pôr meio dessa fórmula que o mundo tem seus momentos de paz. Existe também o caroço de dendê que tem três furos, mas a esse não foi dada a responsabilidade de guardar os segredos.
Existe uma lenda que diz que Exu, com raiva desta condição que Olorum deu ao coco dendezeiro de quatro furos, quis criar o mesmo poder de ver tudo à sua moda, com brigas e discórdias. Ele chamou o coco de dendê de três furos e disse.
- Olhe, de hoje em diante, eu quero que você me conte tudo o que vê. Aí o dendê lhe respondeu: - Como? Se eu só tenho três olhos e não quatro, como meu irmão, a quem Olorum deu este poder?
- Ousas me desobedecer a dendê?
– disse Exu aborrecido.
- Sim! Tu não és mais do que aquele que é responsável pela minha existência e atua – respondeu o coco de dendê.
Dizendo isto, sumiu. E Exu, desta vez, não foi feliz na sua trama. .
Itan de Ogun
Ogum, filho de odudua, sempre guerreava, trazendo o fruto da vitória para o reino de seu pai.Amante da liberdade e das aventuras amorosas, foi com umamulher chamada Ojá que Ogum teve o filho Oxóssi.Depois amou Oiá, Oxum e Obá, as três mulheres de seumaior rival, Xangô.
Ogum seguiu lutando e tomou para si a coroa de Irê, que naépoca era composto de sete aldeias.Era conhecido como o Onirê, o rei de Irê, deixando depoiso trono para seu próprio filho.
Ogum era o rei de Irê, Oni Irê, Ogum Onirê.Ogum usava a coroa sem franjas chamada " acorô ".Por isso também era chamado de Ogum Alacorô.Conta-se que, tendo partido para a guerra, Ogum retornoua Irê depois de muito tempo. Chegou num dia em quese realizava um ritual sagrado.
A cerimônia exigia a guarda total do silêncio.Ninguém podia falar com ninguém.Ninguém podia dirigir o olhar para ninguém.
Ogum sentia sede e fome, mas ninguém falava com ele.Ninguém o ouvia, ninguém o entendia.Ogum pensou que não havia sido reconhecido.Ogum sentiu-se desprezado. Depois de ter vencido aguerra, sua cidade não o recebia.Ele, o rei de Irê.
Não reconhecido pela sua própria gente !!Humilhado e enfurecido, Ogum, espada em punho,Pôs-se a destruir a tudo e a todos.Cortou a cabeça de seus súditos.
Ogum lavou-se com sangue.Ogum estava vingado.
Então a cerimônia religiosa terminou e com ela aImposição de silêncio foi suspensa.Imediatamente, o filho de Ogum, acompanhadopor um grupo de súditos, ilustres homens salvosda matança, veio à procura do pai.
Eles renderam as homenagens devidas ao rei e aoGrande guerreiro Ogum.Saciaram sua fome e sede.Vestiram Ogum com roupas novas, cantaram edançaram para ele.Mas Ogum estava inconsolável.
Havia matado quase todos os habitantes da sua cidade.Não se dera conta das regras de uma cerimônia tãoimportante para todo o reino.Ogum sentia que já não podia ser o rei.
Ogum estava arrependido da sua intolerância, envergonhado por tamanha precipitação.Ogum fustigou-se dia e noite em autopunição.
Não tinha medida seu tormento,nem havia possibilidadede autocompaixão.Ogum então enfiou sua espada no chão e num átimo de segundo a terra se abriu e ele foi tragado solo abaixo.
Ogum estava no Orun, o Céu dos Deuses.Não era mais humano.
Tornara-se um Orixá.
===============MITOLOGIA DOS ORIXÁS - Reginaldo Prandi
Companhia Das Letras - 2001P
esquisa do autor.:Pierre Verger,1957,p 142 - 1999,p 152]
Ulli Beier,1980,pp.34-5;verger 1980,p.286;Veger 1981(b)
Pp 23-4;Verger 1985,p.15===============
Os Caminhos de Ifá
No momento da consulta, Orunmila envia o Odù que será suficiente para orientar as dúvidas do consulente e esclarece de que forma tal caminho (positiva ou negativa) está influenciando a vida da pessoa. O Sacerdote interpreta a fala da Divindade, estabelece os pontos principais que devam ser modificados para restabelecer a tranquilidade ou o bem estar físico,financeiro, sentimental etc. A partir daí resta definir quais oferendas votivas (Ebò) devem ser realizadas para possibilitar a consecução do prognóstico, bem como aconselhar a respeito de atitudes ou comportamentos que facilitem o resultado pretendido.
Assim, por exemplo, quando um indivíduo queixa-se de não conseguiremprego, mas insiste em continuar numa área onde o mercado de trabalho estácompletamente saturado, Orunmila pode esclarecer as suas dificuldades,recomendar os Ebò necessários e aconselhá-lo a tentar outra profissão para aqual tenha aptidão, ou simplesmente deslocar-se para outra região onde sejamais simples conseguir ocupação. Em outras palavras, o Céu sempre ajuda, mas a pessoa deve também fazer a sua parte.
Os Odù de Ifá são completos e absolutos; cada um deles possui umlado claro e outro escuro, ou seja, um lado positivo e outro negativo, o Inge o Iang, o masculino e o feminino e assim por diante, a feição de tudo o mais no Universo.Não existe Odú melhor que outro; dependendo das circunstâncias, o melhor deles transforma-se no pior, e vice-versa..
A participação fundamental do Òrìsà Esù
Esù Ojisebo
A interpretação das falas do Oráculo é feita pelo Sacerdote preparado para essa finalidade e ocorre através do auxílio poderoso do Òrìsà Esù, o grande mensageiro e intermediário entre os seres humanos e as Potências Divinas.
Esù é quem movimenta as peças do jogo (búzios) para formar as configurações que serão interpretadas pelo Sacerdote. Sem a participação dessa Divindade, as respostas seriamtotalmente ininteligíveis para os seres humanos.
É ele que acompanha atentamente as atitudes e palavras tanto do sacerdote quanto do consulente, principalmente quanto à sinceridade de cada um no momento da consulta.
Da mesma forma é quem fiscaliza todo os procedimentos rituais, desde a consulta oracular até a elaboração das oferendas votivas determinadas. Após isso, ainda é Òrìsà Esù que transporta as oferendas para o mundo espiritual (Òrún) e, se forem aceitas, traz de volta a resposta Divina, na forma da benção solicitada. Torna-se então essa Divindade o grande aliado da Homem na realização do próprio destino.
Os Dezesseis Odùs de Ifà
01 Èjì Méjì / Ogbè Méjì
02 Òyèkú Méjì
03 Ìwòrì Méjì
04 Òdí Méjì
05 Ìrosùn Méjì
06 Òwónrín Méjì
07 Òbàrà Méjì
08 Òkànràn Méjì
09 Ògúndá Méjì
10 Òsá Méjì
11 Ìká Méjì
12 Òtúrúpòn Méjì
13 Òtúrá Méjì
14 Ìretè Méjì
15 Òsé Méjì
16 Òfún Méjì
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Axé, efun e waji
Segundo Maupoil (citado por E. dos Santos, 1986) axé é a força invisível, a força mágico-sagrada de toda divindade, de todo ser animado, de toda coisa. Não aparece espontaneamente, precisa ser transmitida.
Qualquer chance de realização na existência depende do axé que, enquanto força, obedece a algumas leis:
1. é absorvível, desgastável, elaborável e acumulável;
2. é transmissível através de certos elementos materiais, de certas substâncias;
3. uma vez transferido por essas substâncias a seres e objetos, neles mantém e renova o poder de realização;
4. pode ser aplicado a diversas finalidades;
5. sua qualidade varia segundo a combinação de elementos que o constituem e que são, por sua vez, portadores de uma determinada carga, de uma particular energia e de um particular poder de realização. O axé dos Orixás, por exemplo, é realimentado através de oferendas e de ação ritual, transmitido por intermédio da iniciação e ativado pela conduta individual e ritual;
6. pode diminuir ou aumentar.
O axé encontra-se numa grande variedade de elementos do reino animal, vegetal e mineral.
Encontra-se em elementos da água, doce e salgada e da terra. Acha-se contido nas substâncias essenciais de seres, animados ou não.
Elbein dos Santos (1986) apresenta uma classificação do axé em categorias: sangue vermelho, sangue branco e sangue preto. O sangue vermelho, no reino animal compreende o sangue propriamente dito, animal e humano, aí incluído o fluxo menstrual; no reino vegetal, inclui o epo, azeite de dendê, o osun, pó vermelho extraído de pterocarpus erinacesses e o mel, sangue das flores. O sangue branco, inclue: no reino animal, o hálito, o plasma, o sêmen, a saliva, o suor e outras secreções; no reino vegetal, a seiva, o sumo, o álcool e as bebidas brancas extraídas de palmeiras e de alguns vegetais, o ori, manteiga vegetal e oiyerosun, pó esbranquiçado extraído do irosun; no reino mineral, os sais, o giz, a prata, o chumbo, etc.
O sangue preto compreende, no reino animal, as cinzas de animais; no vegetal, o sumo escuro de certas plantas, o ilu, índigo extraído de diferentes tipos de árvores, pó azul escuro chamado wáji; no reino mineral, o carvão, ferro, etc.
Para poder atuar, o axé deve ser transmitido através de uma combinação particular que contém representações materiais e simbólicas do branco, do vermelho e do preto, do aiye e do orun, competindo ao oráculo a definição da composição necessária do axé a ser implantado ou restituído.
O sangue - animal, vegetal ou mineral - é substância indispensável para a restauração da força.
Todo ritual, seja uma oferenda, um processo iniciático ou uma consagração, realiza implante da força ou revitalização.
para poder realizar-se ou realizar,
precisa de axé e,
não sendo a fonte inesgotável,
a reposição se faz necessária
e é obtida através da prática ritual
que reatualiza a força do tempo primordial,
o tempo da criação!
A importância da regularidade dos ritos reside no fato de que a presença das entidades sobrenaturais é favorecida pela atividade ritual, ocasião privilegiada da transferência e redistribuição do axé. Este, oriundo das mãos e do hálito dos mais antigos, na relação interpessoal, é recebido através do corpo e atinge níveis profundos, incluídos os da personalidade, através do sangue mineral, vegetal e animal das oferendas.
Primeiramente, gostaria de citar que existem diferenças entre efun e pemba, osùn e urucum, wàji e anil, estes primeiros facilmente importados do continente Africano, não havendo a necessidade de substituí-los.
Efun é um nome jeje-nago dado a vários tipos de pó, utilizados nos rituais afro brasileiro. É muito mais conhecido pelos leigos e na Umbanda como pemba, nomeclatura utilizada pela nação angola.
No Afro-brasileiro utilizamos somente três pinturas durante a cerimônia do EFUN AGBÉ: efun - (um tipo de argila branca), osùn – um tipo de pó vermelho, obtido da árvore Baphia nitida e Peterocarpus osun ambas Leguminosae Papilionoideae e o wáji – um tipo de pó azul, obtido da árvore Indigofera sp. Leguminosae Papilionoideae.
Cada uma destas cores estão relacionadas com determinados Odus e existem vários significados para as pinturas, poderei citar as três principais a saber: As três representam as três passagens do dia, o amanhecer (efun) o crepusculo (osùn) e o anoitecer (wàji). Essas pinturas também representam uma forma de proteção contra as forças maléficas das três principais Iyami Àjé (as feiticeiras) impedindo-as que pousem sobre as pessoas e uma das principais caracteristicas destas pinturas, tem como objetivo vincular todo o àse transmitido ao noviço durante os ritos da iniciação.
O wáji é um elemento muito importante no culto aos Orixás, uma vez que, junto com outros elementos, ajuda a proteger a cabeça dos nossos iyawos contra as Ajé. Segunda a crença africana essas pinturas impediriam que eleyé (ave ligada as Iyami) pousasse no ori das neoiniciadas, pois caso isso ocorresse seria um desastre para vida dessa pessoa.
O wáji representa a cor dundun (preta), o sangue azul que vem das folhas. Existem diversas espécies que podem ser utilizadas para a produção de corantes azuis como a Isatis tinctoria , Indigofera tinctoria e o Lonchucarpus cyanescens. Segundo alguns relatos, as duas primeiras não seriam utilizadas para a produção do wáji tradicional, sendo apenas usadas para a confecção do anil (usado para tingir jeans, por exemplo). O verdadeiro wáji seria, portanto, retirado do processo de fermentação das folhas do Lonchucarpus sp. que é conhecido pelo nome de índigo africano ou índigo Yorubá.
O processo de fabricação desse corante era complexo e exigia grande perícia, sendo cercado de prescrições e proibições rituais. Era tão importante que os tinteiros Yorubás cultuavam até uma divindade específica para essa finalidade, Iyá Mapo. O pano tingido de índigo significava riqueza, abundância e fertilidade.
terça-feira, 6 de abril de 2010
O Terceiro Setor
O termo ONG, ou seja, Organização não Governamental, Terceiro Setor (do inglês Third Sector) ou Setor sem fins Lucrativos (Nonprofit Sector), refere-se de modo genérico a toda organização que não possuem objetivo econômico.
A economia é separada em quatro setores:
- 1° Setor da economia é o Estado regulamentado pela Constituição da República Federativa do Brasil, Lei de Responsabilidade Fiscal, PPA - Plano Plurianual, LOA - Lei Orçamentária Anual e LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias entre outros;
- 2° Setor da economia é a Iniciativa Privada regulamentada pela Constituição da República Federativa do Brasil, Código Civil e Leis Ordinárias;
- 3° Setor da economia são as instituições sem fins lucrativos.regulamentada Constituição da República Federativa do Brasil, Código Civil e Leis próprias de sua regulamentação;
- 4 ° Setor da economia, sem regulamentação pois é o crime organizado.
Foi utilizado pela primeira vez pelo Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas em 1950. No Brasil, começou a ser utilizada na metade da década de 80, referindo-se exclusivamente às organizações que realizavam projetos junto aos movimentos populares, normalmente na promoção social.
Normalmente as ONGs são grupos sociais organizados que:
- Possuem uma função social e política em sua comunidade ou sociedade;
- Possuem uma estrutura formal e legal;
- Estão relacionadas e ligadas à sociedade ou comunidade através de atos de solidariedade;
- Não objetivos sobre lucros;
- Possuem considerável autonomia.
Opiniões erradas sobre o Terceiro Setor:
- Informalidade;
- Achar que fazendo o bem e que não há necessidade de cumprir “ BUROCRACIAS “;
- Acreditar que todo mundo é bom, portanto não há necessidade de “ formalismos “;
- Obra Social “ não paga impostos e taxas “;
- Obra Social “ não paga Quota Patronal “;
- Qualquer papel serve pois meu convênio aceitou documento.
Não existe um tipo de ONG que seja mais abrangente no campo social ou político do que outras. Todas, das pequenas e locais até as grandes e internacionais, desempenham um papel sócio-político importante.
Tentar adjetivar ONGs, por suas ações específicas, como do tipo de esquerda ou de direita, de combate ou assessoria, técnicas ou de militância é uma maneira equivocada de conceituar o papel político de uma ONG. Seria desviar a atenção da opinião pública sobre as funções de uma ONG, para rótulos que dividem, não somam.
Isto porque se ela existe, atuante e presente, em um campo de ação social específico, é lógico supor que ela atende interesses de um grupo sócio-cultural, dentro de uma faixa do espectro político existente. Aí repousa sua legitimidade.
Conforme Peter F. Drucker: “Todas as instituições ‘sem fins lucrativos’ têm algo em comum: são agentes de mudança humana. Seu ‘produto” é um paciente curado, uma criança que aprende, um jovem que se transforma em um adulto com respeito próprio; isto é, toda uma vida transformada.”
Em contrapartida, as redes de solidariedade e de interesses imediatos podem não ser as mesmas para todas as ONGs, isto determina a diversidade do campo de ação política de cada uma delas.
Para o caso específico deste manual, em resumo, podemos considerar que as "ONGs são instituições privadas, com fins públicos", como sinteticamente expõe o antropólogo Rubem Cesar Fernandes.
Em outras palavras, ONG são "grupos de pressão que buscam por um lado influenciar e democratizar políticas públicas governamentais para que essas supram da maneira mais extensa possível às necessidades da sociedade e de condições de vida iguais e justas no mundo todo e, por outro, movimentar a sociedade em que estão inseridas, utilizando-se de suas relações de solidariedade, na busca dessa democratização e influência política" (Menescal, in Gonçalves).
Os números sobre o Terceiro Setor no Brasil demonstram claramente que existe uma ampla possibilidade de expansão com uma maior participação do PIB.
O Terceiro Setor apresenta a possibilidade de atuação permanente fora da “maquina do estado”, para que as condições de vida da população excluída possam melhorar. O ativismo político poderá ser acompanhado de ações concretas de intervenção na transformação das pessoas e da sociedade.
A possibilidade de ser um setor gerador de empregos, tendo em vista, o processo de exclusão social que se intensificou no Brasil. O 3º Setor por natureza, trabalha com a prestação de serviços sociais que não podem ser substituídos no seu atendimento por máquinas.
No Brasil as Empresas Sem Fins Lucrativas possuem as seguintes categorias:
- Associações: são organizações baseadas em contratos estabelecidos livremente entre os indivíduos para exercerem atividades comuns ou defenderem interesses em comuns ou mútuos;
- Organizações Filantrópicas, Beneficentes e de Caridade: são organizações voltadas para seus clientes na promoção de assistência social e de serviços sociais nas áreas de saúde e educação;
- Organizações Não Governamentais: como nas associações estas organizações são comprometidas com a sociedade civil, movimentos sociais e transformação social;
- Fundações Privadas: são uma categoria de conotação essencialmente legal. A criação de uma fundação se dá, segundo o CCB, pelo instituidor, que através de uma escritura ou testamento, destina bens livres, especificando o fim a ser alcançado;
- Organizações Sociais: organização pública não estatal destinado a absorver atividades publicizáveis (áreas de educação, saúde, cultura, meio ambiente e pesquisa científica) mediante qualificação específica.
As empresas brasileiras estão seguindo uma tendência internacional e deixando de praticar somente filantropia de caráter provisório para atuar em ações sociais de longo prazo. Pesquisas mostram que atualmente 59% das empresas no Brasil possuem alguma atividade social.
Nestas atividades encontramos doações e estímulo para que seus funcionários sejam voluntários. Muitas destas empresas além de sua consciência social também passaram a ter uma preferência pelo consumidor.
Há muita expectativa da ampliação da base de atuação política, mobilizando assim em torno de temas mais amplos que irão contribuir para a criação de uma democracia econômica.
domingo, 21 de março de 2010
Prece aos Orixás
Que a tenacidade de Ogum me inspire a viver com determinação, sem que eu me intimide com pedras, espinhos e trevas. Sua espada e sua lança desobstruam meu caminho e seu escudo me defenda. Ogun Yê!
Que o labor de Oxossi me estimule a conquistar sucesso e fartura às custas de meu próprio esforço. Sias flechas caiam à minha frente, às minhas coisas, às minha esquerda, à minha direita, cercando-me para que nenhum mal me atinja. Okê Ode!
Que as folhas de Ossanhe forneçam o bálsamo revitalizante que restaure minhas energias, mantendo minha mente sã e corpo são. Ewe Ossanhe!
Que Oxum me dê a serenidade para agir de forma consciente e equilibrada. Tal como suas águas doces, que seguem desbravando no curso de um rio, entrecortando pedras e se precipitando numa cachoeira, sem parar nem ter como voltar atrás, apenas seguindo para encontrar o mar. Assim seja que eu possa lutar por um objetivo sem arrependimentos. Ora YeYeo Oxun!
Que o arco-íris de Oxumaré transporte para o infinito minhas orações, sonhos e anseios, e que me traga as respostas divinas, de acordo com meu merecimento. Arroboboi Oxumaré!
Que os raios de Yansã ilumimem meu caminho e o turbilhão de seus ventos leve para longe aqueles que de mim se aproximam com o intuito de se aproveitarem de minhas fraquezas. Epa Hey Yansã!
Que as pedreiras de Xangô sejam a consolidação da Lei Divina em meu coração, seu machado pese sobre minha cabeça agindo na consciência e sua balança me incuta o bom senso. Kâo Kabecilie!
Que as ondas de Yemanjá me descarreguem, levando para as profundezas do mar sagrado as aflições do dia-a-dia. Dando-me a oportunidade de sepultar definitivamente aquilo que me causa dor e que seu seio materno me acolha e me console. Odoyá Yemanjá!
Que as cabaças de Obaluayê tragam não só a cura de minhas mazelas corporais, como também ajudem meu espírito a se despojar das vicissitudes. Atotô Obaluayê
Que a sabedoria de Nana me dê uma outra perspectiva de vida, mostrando que cada nova existência que tenho, seja aqui na Terra ou em outros mundos, gere a bagagem que me dá meios para atingir a evolução, e não uma forma de punição sem fim como julgam os insensatos. Saluba Nanã!
Que a vitalida dos Ibejis me estimule a enfrentar os dissabores como aprendizado, que eu não perca a pureza mesmo que, ao meu redor, a tentação me envolva. Que a inocência não signifique fraqueza, mas sim refinamento moral. Oni Ibekada!
Que a Paz de Oxalá renove minhas esperanças de que, depois de erros e acertos, tristezas e alegrias, derrotas e vitórias, chegarei ao meu objetivo mais nobre, aos pés de Zambi. Zambi Pae!